Polícia

Ameaças de ataques e série de trotes provocam clima de pânico em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Ameaças, informações contraditórias e desencontradas, além de muitos trotes, causaram ontem um clima de pânico em Bauru, depois dos ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Apesar de nenhuma ocorrência grave ter sido registrada na cidade, a sensação de medo parecia aumentar conforme a noite caía. Por cautela, uma espécie de toque de recolher foi “decretada” por parte da população, comércio e instituições. Aulas foram suspensas em universidades e escolas do município. O expediente do Shopping e de alguns supermercados foi encerrado mais cedo. As atividades do Ministério Público Estadual, Federal e do Trabalho também foram reduzidas. O mesmo ocorreu com a Justiça Estadual e Federal. Neste caso, o acesso à entrada dos prédios foi limitado - o tráfego de veículos ficou impedido.

Mas bem antes, os bauruenses já haviam se deparado com ruas interditadas. É caso das vias nas imediações de delegacias e bases da Polícia Militar (PM). A medida, considerada um reforço na segurança, havia sido adotada desde a madrugada de sábado, após as ocorrências registradas contra três delegacias do município. O cuidado foi mantido ontem, num dia marcado pelas mais diversas ameaças, trotes e informações desencontradas.

Prédio desocupado

A cada instante, ligações feitas à polícia e à imprensa davam contam da morte de policiais, ataques a agências bancárias e ao terminal rodoviário, explosões de bomba e seqüestros, por exemplo. Nada confirmado posteriormente. Pela manhã, no entanto, o prédio da Subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi evacuado, após um telefonema suspeito.

“Uma voz estranha (masculina), grossa, ligou uma vez e perguntou pelo coordenador da OAB. Quando transferiram, a ligação caiu. Depois, ele ligou de novo. Disse que nós tínhamos dez minutos para evacuar o prédio, que iriam invadir”, comenta a funcionária que recebeu o telefonema e pediu para ter o nome preservado. Diante da intimidação, os cerca de 12 trabalhadores da OAB deixaram o prédio para almoçar, num horário um pouco mais cedo que o habitual.

“Achei melhor sair por cautela. Não houve desespero”, comenta Edson Reis, presidente da subseção Bauru da OAB. Ameaça semelhante também teria sido registrada ontem à tarde num clube da cidade. A informação não foi confirmada oficialmente. Suas dependências, porém, também foram desocupadas.

Quase simultaneamente, a PM foi comunicada sobre a explosão de uma bomba de festa junina numa das entradas laterais da Praça D. Pedro II, onde está situada a Câmara Municipal de Bauru. Quando esclarecida, a ocorrência foi classificada pela própria polícia como uma brincadeira de mal gosto.

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Segurança

As marcas dos projéteis disparados contra três delegacias de Bauru reiteraram ontem a necessidade de reforço na segurança próximo aos distritos policiais de Bauru. O delegado seccional da cidade, Doniseti José Pinezi, determinou que o titular de cada um deles tomasse providências nesse sentido.

No 1º DP, por exemplo, policiais civis e militares armados permaneceram de guarda em frente ao imóvel, que foi alvejado com quatro tiros na madrugada de sábado. Até mesmo o acesso ao 3º DP, que não havia sido alvo de ataques até o fechamento desta edição, foi dificultado. O trânsito na quadra em frente ao prédio foi impedido.

“Todo o efetivo foi convocado para essa luta. A nossa ordem foi suspender (serviços externos menos importante) e permanecer nas delegacias, trabalhando normalmente. Durante o dia é para atender normalmente”, explica Pinezi.

No entanto, o movimento em pelo menos uma delas caiu pela metade ontem. A professora Sandra Spiri, por exemplo, adiou o quanto pôde o registro de um furto ocorrido em sua casa, no último sábado. “Minha família e a própria PM recomendaram que eu aguardasse até hoje (ontem)”, comenta.

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