O dia 15 de maio vai ficar na história. Em plena segunda-feira, sete das oito instituições de ensino superior e escolas particulares de Bauru, apesar de nenhum ataque ter se concretizado, encerraram as atividades no final da tarde, mais cedo que o previsto, e suspenderam as aulas do período noturno por medida de precaução. A Instituição Toledo de Ensino (ITE) tomou a decisão após a diretoria ter recebido ameaça. Por telefone, a ITE recebeu ordem “para se enquadrar no esquema das demais (faculdades da Capital que suspenderam as aulas ontem)”.
Por precaução, a instituição suspendeu as aulas e demais atividades de ontem à noite e hoje pela manhã nos câmpus de Bauru, Botucatu e Ibitinga, informou a assessoria de imprensa no final da tarde. Funcionários, professores e alunos foram dispensados.
Flávio Toledo, diretor da ITE, ressaltou que as medidas eram preventivas e seguiam as das demais instituições de ensino. A abertura da 8.ª Jornada Científica de Serviço Social, que seria realizada ontem no câmpus de Bauru com palestra sobre política de saúde, foi adiada para hoje, às 19h. As atividades na ITE devem ser retomadas hoje à tarde.
Na Universidade do Sagrado Coração (USC), alunos, professores e diretores deixaram a instituição no final da tarde, após a decisão da Reitoria de suspender as atividades à noite, também por precaução. “Eu estava na universidade para um ensaio do Coral Encanto. Quando descemos, por volta das 17h30, já estava tudo fechado: lanchonete, lojas e os alunos e funcionários estavam indo embora. Mas a saída foi muito tranqüila”, conta a aposentada Odete Zamboni.
Quem estava na rua, ficou surpreso com a quantidade de pessoas saindo da USC ao mesmo tempo. “Parecia que estavam evacuando o prédio”, conta uma vizinha da universidade, que chegou a ligar para polícia para saber se havia ocorrido algum ataque no prédio. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru também suspendeu as aulas de ontem à noite.
Reuniões
Um comunicado da Reitoria da Unesp, que chegou a Bauru ontem à tarde, determinava que todas as reuniões agendadas para São Paulo nesta semana estão suspensa. Também suspenderam as aulas ontem à noite a Universidade Paulista (Unip), a Faculdade Fênix, as Faculdades Integradas Bauru (FIB) e Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb/Preve) igualmente por precaução.
Chiara Ranieri, diretora da FIB, ressaltou que a faculdade decidiu suspender as aulas de ontem à noite em função das informações de ataque - que acabaram não se confirmando - da tarde de ontem em Bauru. A Universidade de São Paulo (USP) de Bauru não chegou a suspender as atividades porque nesta semana não há aulas em função de um evento na instituição.
Gérson Trevisani, proprietário do Grupo Preve, explica que as aulas do Colégio Preve e do Iesb/Preve foram suspensas por precaução, principalmente porque muitos de seus alunos são de cidades vizinhas e que usariam ônibus para chegar a Bauru. “É uma medida de segurança até porque quem estuda à noite pode ficar sem ônibus para voltar para casa. Amanhã (hoje) vamos avaliar a situação novamente”, disse.
Como presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino, ele disse que a orientação da entidade era para que escolas e faculdades suspendessem as aulas ontem à noite. Trevisani contou que, apesar dos boatos de ataques que pipocaram na cidade durante o dia, o expediente ontem foi tranqüilo. “As aulas foram normais. Apenas alguns alunos que são filhos de policiais foram embora mais cedo”, disse.
No Colégio Fênix, a única alteração ontem também foi que alguns pais buscaram seus filhos antes do horário de saída. Mas a escola reforçou a segurança e manteve as aulas hoje. Já o Colégio São Francisco, suspendeu as aulas de hoje pela manhã. Ontem à noite, também não houve aulas no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Bauru.
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Ameaça de bomba
A diretoria da Associação Luso Brasileira afirma que decidiu encerrar as atividades no meio da tarde de ontem por precaução, mas o JC apurou que a medida foi tomada após o clube ter recebido um telefonema informando que haveria uma bomba no prédio dos Altos da Cidade.
Mais de 100 pessoas, entre usuários do clube que estavam em atividades de esporte e lazer e funcionários, deixaram as dependências da Luso por volta das 15h30. Antônio Carlos Azevedo, diretor da Luso, policiais vasculharam o prédio e não acharam nada suspeito.
Ieda Rodrigues