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Governo atribui pânico a onda de boatos

Folhapress
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São Paulo - O governo de São Paulo atribuiu o pânico disseminado ontem pela cidade - e pelo Estado - a uma onda de boatos e, em parte, à mídia, pois o dia, em sua visão, foi mais tranqüilo em total de ocorrências do que os dois anteriores.

"Não queremos minimizar os problemas, mas o dia de ontem foi mais tranqüilo, com uma diminuição no número de ocorrências. O pânico que houve foi causado pela Internet, principalmente, e por canais de rádio e TVs que são movidos pelas notícias", disse o comandante-geral da Polícia Militar (PM) de São Paulo, Elizeu Eclair Teixeira Borges. Ele afirmou que a população deve levar "vida normal" a partir de hoje. "Devem voltar ao trabalho e às escolas, com todos os cuidados que temos de ter normalmente. A vida continua."

A deputados estaduais de todos os partidos políticos que foram ao Palácio dos Bandeirantes lhe prestar solidariedade, o governador Cláudio Lembo (PFL) também reclamou da onda de boataria que tomou a cidade de São Paulo, levando escolas e parte do comércio a fechar suas portas com medo de atentados.

"É difícil controlar essa onda de boataria. Mas agora o Estado está começando a se recuperar. Temos de colecionar vitórias", disse o governador. Lembo descartou a necessidade de fazer um pronunciamento em rede de rádio e TV para acalmar a população do Estado. "Garanto que teremos, sim, condições hoje de oferecer transporte aos paulistanos. Peço à sociedade de São Paulo que colabore. Devemos continuar vivendo com tranqüilidade", afirmou o governador.

Questionado se a PM dará apoio às empresas de ônibus, de forma a garantir o funcionamento das linhas sem interrupções nem novos ataques incendiários, o coronel Eclair respondeu: "Vamos (a PM) garantir o transporte metropolitano (trens e metrô) e pelo menos 50% dos ônibus. Mas não podemos obrigar uma empresa a colocar seus ônibus nas ruas".

Ele também disse que muitos boatos de violência que circularam na capital paulista foram provocados em parte pela mídia.

Segundo ele, "houve um profundo toque de sensacionalismo". No entanto, ele não citou exemplos nem emissoras específicas.

O comandante da PM pediu "respeitabilidade na informação". "Liguei pessoalmente para diretores de programas de TV e de jornais. Sei que há um problema de audiência, mas queremos transparência (sem sensacionalismo)", afirmou Eclair.

Nova recusa

Após novas e insistentes ofertas do governo federal, o governador Lembo descartou novamente ontem a participação do Exército e da Força de Segurança Nacional no combate ao crime organizado no Estado.

"Nós, o ministro (da Justiça Márcio Thomaz Bastos), eu e o secretário de Segurança Pública, chegamos à conclusão de que o momento não é para ter o Exército nas ruas. Temos o controle da cidade e vamos preservar esse controle. O Exército seria, nesse momento, algo desnecessário. Portanto, agradecemos o governo federal", disse o governador, no início da noite de ontem.

Thomaz Bastos, que veio a São Paulo só para falar pessoalmente com o governador, disse que a crise está sendo enfrentada "de maneira competente". "Reitero minha confiança na polícia de São Paulo. Temos absoluta convicção de que as forças de segurança do Estado debelarão a situação", afirmou o ministro, mas completou: "Se for necessária (a participação das forças nacionais), estaremos às ordens".

Enquanto a reunião entre o governador e o ministro da Justiça ocorria no Palácio dos Bandeirantes, o comandante da PM dizia que a força nacional de segurança é "inexistente". "São parcelas das 27 polícias do Brasil (de cada um dos Estados e do DF). Cada polícia apresenta 50, 100 homens para um treinamento, e eles consideram a somatória disso a força nacional de segurança", afirmou Eclair.

Lembo também disse ontem que é preciso dar algum reconhecimento ao trabalho dos policiais que estão enfrentando essa onda de violência. Eles devem ter aumento de salários e gratificações. Dois projetos sobre o assunto tramitam na Assembléia Legislativa.

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