Washington - A União Européia anunciou ontem estar disposta a entregar ao Irã tecnologia nuclear de última geração para finalidades civis, caso aquele país se comprometa a não mais enriquecer urânio, disse ontem o chefe da diplomacia do bloco, Javier Solana. “Poderíamos ajudá-los com a melhor e mais sofisticada tecnologia”, disse o diplomata, sem entrar em detalhes.
O pacote, que incluiria também o financiamento de projetos em outras áreas, estará pronto em duas semanas. Mas a proposta foi de imediato rejeitada pelo governo iraniano. Seu ministro das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, disse que qualquer pedido para suspender ou interromper a produção de combustível nuclear seria “ilógico e inaceitável”.
A afirmação está em nota de Mottaki, que enviou mensagem em termos idênticos aos embaixadores em Teerã na França, no Reino Unido e na Alemanha. Apesar do aspecto inovador da oferta européia e de sua pronta rejeição, o episódio significa uma retomada de diálogo, no momento em que o programa nuclear iraniano provocou um impasse no Conselho de Segurança da ONU.
Entre seus membros permanentes, os EUA anunciaram no final de abril que defenderiam sanções. França e Reino Unido apresentaram um esboço de resolução em que exortavam Teerã a renunciar a suas ambições nucleares. Mas a Rússia e a China consideravam prematura a radicalização das pressões.
Diante do impasse, Washington concordou que os europeus tomassem alguma iniciativa no plano diplomático. A União Européia, que até o início deste ano discutia a questão com os iranianos por meio do UE3 (França, Reino Unido e Alemanha), reuniu seus ministros das Relações Exteriores em Bruxelas, que agora elaboram uma proposta que Javier Solana qualificou de “generosa”.
Embora seus detalhes sejam desconhecidos, acredita-se que os europeus se comprometeriam a fornecer ao Irã o urânio enriquecido de que precisam para as centrais de produção de eletricidade. Um dos gargalos dessa negociação está no argumento iraniano de que enriquecer urânio, para ter acesso ao ciclo completo do combustível, não é algo vetado pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é ainda signatário.