Gaza - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) fez um apelo ontem para que a União Européia (UE) não corte a ajuda aos palestinos e dê uma “chance’’ para que o governo do Hamas se adapte às exigências internacionais. “Cortar a ajuda à ANP irá exacerbar a crise política e econômica”, disse Abbas ao Parlamento Europeu. “Nós precisamos do apoio da comunidade internacional. O novo governo deve ter uma chance para se adaptar às exigências internacionais”, acrescentou.
O líder palestino disse que espera iniciar nos próximos dias um “diálogo nacional’’ que leve o governo do Hamas a empreender mudanças em sua plataforma de governo e se comprometer com o processo de paz aceito pela administração palestina anterior. Abbas alertou ainda para a possibilidade de “graves conseqüências” caso o governo de Israel mantenha seus planos de impor fronteiras para os palestinos. “A tentativa de implementar esse projetos unilaterais irão destruir qualquer esperança de reaviva o processo de paz”, afirmou. “Ela também irá causar outra era de tensão e conflito para o povo da região, que há décadas paga um alto preço”, disse.
Corte
A UE e os EUA congelaram milhões de dólares em ajuda direta o governo palestino, depois que o Hamas - que prega a destruição de Israel - venceu as eleições legislativas de janeiro. O governo americano e a UE consideram o Hamas uma organização terrorista e dizem que o grupo deve abrir mão da violência e reconhecer Israel.
Abbas -ligado ao partido Fatah- tenta convencer o governo do Hamas de mudar sua postura violenta. O corte na ajuda - ao lado da decisão de Israel de cancelar a transferência de US$ 50 milhões mensais em impostos que eram enviados aos palestinos - causou uma grave crise financeira na Cisjordânia e em Gaza.
Na semana passada, o Quarteto de Madri - UE, Rússia, EUA e ONU - decidiu liberar uma ajuda temporária para aliviar a a crise nos territórios palestinos. O fundo será controlado por uma instituição internacional, como o Banco Mundial, em conjunto com o Quarteto, para evitar contato direto do Hamas com os recursos.