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A sociedade acuada


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Jamais o Brasil passou por semelhante situação que, no máximo, encontra paralelo nas ações terroristas perpetradas nos anos 60 e 70 pelo grupo que hoje está no poder, à época taxados de subversivos, com razão, posto que ninguém pediu a eles que derrubassem o regime à força. Ninguém pediu violência, mas a intenção de gente como José Dirceu e Genoíno não era patriótica, e sim interessada em assumir o poder.

Temos em ação um crime organizadíssimo, cuja espinha dorsal são as comunicações. Nossas autoridades em Brasília estão há mais de ano enrolando para aprovar, via Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações, a interrupção do sinal das estações de Rádio-Base, que transmitem os sinais de celulares, próximas aos presídios, ou a instalação de bloqueadores de sinal nas cadeias.

Não bastasse isso, o Judiciário levou duas semanas, mais ou menos, para apreciar e deferir um pedido de escuta da polícia civil de São Paulo dos celulares da organização criminosa-palavra da moda-denominada “PCC-Primeiro Comando da Capital”. Então, mais uma vez, Judiciário e Executivo conspiram contra a sociedade. O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, alheio à realidade gritante que aflige a todos, declara, irresponsavelmente, que a situação está sob controle. Enquanto Lembo diz isto, carros da polícia são metralhados, pais aflitos buscam seus filhos nos colégios e 3 milhões de trabalhadores, só em São Paulo, ficam sem condução.

Mas Cláudio Lembo, altaneiro, dispensa a ajuda do Exército e da Força Nacional de Segurança – criada exatamente para isto. Não custará um tostão aos cofres do Estado a ajuda federal; então foge à compreensão a recusa do governador em exercício. Quantos mais precisarão morrer para que Lembo engula sua empáfia e aceite de bom grado a ajuda federal?

O que estão esperando nossas autoridades para mandar interromper os sinais de celular nos presídios imediatamente, para desarticular um movimento que já atinge outros sstados da federação?

Um acinte a que são submetidos policiais, que têm que esconder suas identidades funcionais; não podem sequer pôr o uniforme para secar no varal, do contrário seriam identificados como tal nas comunidades em que vivem, graças ao salário de fome pago pelo Estado.

De fato, o que pensará o cidadão, sabendo que há várias unidades do Exército Brasileiro onde os praças e oficiais poderiam sair às ruas para impor a ordem, mas que não serão utilizadas, porque nosso governador acha que dá conta do recado sozinho?

Quando um crime é perpetrado contra uma só pessoa, a solidariedade da sociedade se resume a um lamento e ponto final. Mas quando toda a sociedade é atingida, os humores se galvanizam e todos exigem uma solução.

A saída está nas mãos do Legislativo, do Judiciário e do Executivo, os três Poderes, dos quais, não me canso de dizer, somos reféns. Reféns, sim, mais de oitenta mortos, em sua maioria policiais.

O que será daqui por diante? Lembo seguirá com sua empáfia, achando que sua segurança pública, capitaneada pelo incompetente, arrogante, secretário Saulo Abreu dará conta do recado? Acaso é motivo de fraqueza aceitar a ajuda oferecida pelo governo federal?

Lembo demonstra claramente não estar à altura do governo de São Paulo. Um político menor, desde os tempos de Olavo Setúbal, de Paulo Egídio Martins.

Ainda bem que seu mandato termina ao final deste ano; jamais se viu tamanha inépcia no gerenciamento de uma crise como esta.

O autor, Luiz Leitão, é articulista do espaço Opinião, e-mail: luizleitao@allsites.com.br

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