O Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindicop) teme conflito entre presos hoje, dia do retorno da saída temporária. O alvo seriam detentos das penitenciárias 1 e 2 de Bauru. “Por não fazerem parte do Primeiro Comando da Capital (PCC), podem ser atacados por membros da facção ao retornar, ainda na estrada”, acredita José Luciano Calazans, um dos diretores da entidade.
De acordo com agentes penitenciários ouvidos pela reportagem, tanto na P1 quanto na P2 não existem detentos que assumiram fazer parte do PCC. Por isso, eles acreditam que a chegada dos presos que foram liberados para passar o Dia das Mães em casa deve transcorrer calmamente. Mas, de acordo com Calazans, muitos podem nem retornar às penitenciárias com medo de ataques no trajeto.
Um dos agentes penitenciários ouvidos, afirmou que, como as ações parecem ter terminado, até mesmo os ataques a ônibus podem não passar de especulação. Funcionário da P2, ele conta que na unidade podem até existir membros do PCC, mas com medo da reação dos outros detentos, preferem não declarar abertamente a ligação com a facção.
Já o Instituto Penal Agrícola foi citado pelos agentes como sendo o local que concentra os detentos aliados com a facção em Bauru. Segundo eles, a unidade pode ter clima tenso hoje.
No domingo, o sindicato anunciou que iria enviar representações aos Ministério Público Federal e Estadual propondo uma série de medidas para a atuação dos agentes penitenciários, apontando a falta de controle no sistema prisional. Segundo o advogado da entidade, César Augustus G. Dória, as representações deverão ser protocoladas hoje.