A Prefeitura Municipal de Bauru divulgou ontem que o relatório final da sindicância administrativa aberta para investigar as causas da perda de 1.390quilos de carne vai apontar indícios de responsabilidade contra dois servidores pelo ocorrido. O alimento estava armazenado na cozinha do Caic, na Vila Independência, e a informação preliminar foi a de que teria ocorrido falha nos equipamentos de armazenagem.
De acordo com o chefe de Gabinete do prefeito, Paulo Sérgio Canalli, os nomes dos funcionários serão preservados para que não haja injustiças. “Eles terão pleno direito a defesa, e se for apurado que não têm relação com o ocorrido, não haverá problemas. Não podemos divulgar os nomes para não sermos injustos, caso eles sejam inocentes”, afirmou.
A comissão de sindicância aguarda apenas o resultado de exames feitos nos produtos para apontar qual foi a quantidade exata de quilos que ficou imprópria para consumo. Em seguida, será encaminhado o relatório final ao prefeito para abertura de processo administrativo, onde é verificado se a conduta apontada na apuração leva à necessidade ou não de punição contra eventuais responsáveis pela falha no serviço.
Inicialmente, foi constatado e confirmado o comprometimento de 200 quilos de carne que haviam sido descongelados para consumo. A ocorrência foi no mesmo dia em que os servidores da cozinha do Caic aderiram à greve dos servidores municipais, no mês passado.
Posteriormente, a utilização de outros 1.190 quilos ficou suspensa em razão de problemas técnicos verificados na câmara fria da cozinha. A falha no equipamento provocou o descongelamento do produto e só foi percebida quando os servidores do setor retomaram ás suas atividades.
A ausência de responsáveis pelo acompanhamento das condições dos produtos durante os 24 dias de greve também teria colaborado para impedir que a carne fosse aproveitada. Para o advogado do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), Sandro Luiz Fernandes, a falha no equipamento e a presença de funcionários comissionados na cozinha são elementos que descartam a possibilidade de punir servidores que aderiram ao movimento grevista. Para ele, também não há nenhuma relação entre a ocorrência e o movimento que paralisou a operação da cozinha.
A comissão de sindicância aguarda o resultado dos exames laboratoriais para confirmar se parte ou a totalidade da carne se tornou imprópria para consumo.
A comissão foi composta por Waldomiro Calanego Júnior, membro da Corregedoria Administrativa da Prefeitura; Edson Cardia, Corregedor do Departamento de Água e Esgoto; e Maria Augusta Nogueira Herdade, nutricionista da Secretaria Municipal da Saúde.
Levantamento do caso
O perecimento da carne foi constatado por uma nutricionista da Secretaria Municipal da Saúde. A profissional sugeriu que o produto não fosse aproveitado na preparação das refeições. De acordo com o secretário municipal de Administração, Fernando Ferreira Jorge, o prejuízo com os produtos estragados girou em torno de R$ 9 mil.
Na época, o secretário comentou que o problema com os alimentos poderia ter começado com a greve dos servidores. Segundo dados da administração, os 200 quilos de carne estragados no início tinham sido descongelados para consumo no dia em que os funcionários da cozinha aderiram à paralisação.
Posteriormente, o restante da carne se tornou imprópria para consumo humano em razão de problemas técnicos verificados na câmara fria da cozinha. Cerca de 100 quilos de beterraba também foram comprometidos para utilização.