Os ataques criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC) motivaram muitos bauruenses a equipar suas casas com cercas elétricas, alarmes e até circuito interno de monitoramento com TV.
A procura por esses aparelhos triplicou em algumas lojas especializadas e as vendas cresceram até 100%. Muita gente, inclusive, achou o momento oportuno para fazer checagem ou manutenção no sistema de segurança da residência, o que também contribuiu para o faturamento dos estabelecimentos que oferecem esses serviços.
Alessandra Souza, gerente de uma revendedora de alarmes e outros equipamentos de segurança em Bauru, diz que desde sexta-feira, quando começou a onda de ataques na Capital e no Interior do Estado, o consumo de kits de segurança - que compreendem uma central de choque, bateria, cabo de aço de alta tensão, fios de aterramento e sirene - aumentou consideravelmente. Entre os dois dias, foram comercializados oito pacotes, cada um ao preço de R$ 300,00.
Segundo ela, a venda de cercas elétricas também foi fora do comum. As pessoas não economizaram na quantidade, mesmo com o metro a R$ 3,00. “Sentimos uma alteração positiva nas vendas nesses últimos dias. O confronto entre polícia e criminosos tem motivado muita gente a pensar em reforçar a segurança de suas casas. Para se ter uma idéia, o consumo dos kits de segurança aumentou 50% ao dia”, destaca Souza.
Na loja de Ronaldo Gaspar, também especializada em aparelhos de segurança, a procura pelos produtos cresceu 100% e as vendas, 30%. Essa oscilação positiva ocorreu apenas entre sexta-feira e ontem.
Segundo ele, depois das cercas elétricas - as campeãs de vendas - os bauruenses não economizaram nas compras de alarmes e circuitos fechados de TV. Essa prevenção, no entanto, tem feito o consumidor mexer bastante no bolso. Gaspar informou que um sistema de alarme, por exemplo, custa em média R$ 700,00, enquanto um conjunto de cerca elétrica custa R$ 500,00 e um circuito interno de TV, entre R$ 250,00 e R$ 2 mil.
“Mais da metade dos inúmeros pedidos de orçamento que estamos recebendo desde sexta-feira da semana passada está sendo fechada. Provavelmente por temerem novos ataques no Estado e que eles cheguem com mais intensidade em Bauru, as pessoas estão investindo nesses equipamentos de segurança para suas residências. O retorno financeiro para a empresa está sendo muito bom”, diz Gaspar, animado.
O custo da aquisição de um sistema de segurança residencial varia muito conforme o tamanho do imóvel. Porém, segundo o gerente de vendas de uma casa especializada nesses equipamentos em Bauru, Nilson Constantino, quem não tem condições de comprar um circuito de proteção completo de uma só vez, deve adquiri-lo separadamente.
“O morador deve comprar primeiro o alarme interno, depois a cerca elétrica e depois o circuito de TV. Dessa forma, aos poucos ele vai deixando sua casa mais segura”, completa.
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Proteção reforçada
A costureira Longuinha Ribeiro, 40 anos, moradora do Parque Roosevelt, em vista da instabilidade da segurança no Estado de São Paulo achou melhor reforçar os equipamentos de segurança que já existem em sua casa.
Na última segunda-feira, ela desembolsou pouco mais de R$ 1 mil para aumentar a altura dos 30 metros de cerca elétrica instalados ao redor de sua residência. “Esses ataques me assustaram um pouco, então, resolvi aumentar um pouco a segurança, ampliando a altura da cerca. Em menos de um ano, já investi mais de R$ 2 mil na segurança da casa”, conta Ribeiro.
Ainda segundo ela, antes de instalar o aparelho, sua residência foi alvo de dois assaltos. Num deles, os assaltantes arrombaram o portão e levaram uma bicicleta. A costureira, no entanto, acredita que apesar dos meios que têm utilizado para proteger sua família de eventuais ações dos criminosos, a segurança ainda não está garantida.
“Nada disso (os sistemas de segurança) pode, de fato, proteger a gente da ação dos bandidos. Enquanto o governo não mudar sua política pública na área de segurança, vamos continuar a mercê do crime. Esses meninos de 15, 16 anos, precisam trabalhar desde cedo para não ter tempo de pensar em coisa errada e cair no mundo do crime. Acho que essa questão precisa ser revista urgentemente”, observa.
A busca por medidas de proteção contra novas ações dos criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) tem sido constante também entre os motoristas. Na Capital, por exemplo, as oficinas de blindagem de carros tiveram os serviços duplicados desde o começo da semana. Atualmente, estima-se que são 14 mil veículos blindados em circulação no País.