Tribuna do Leitor

À sra. Hilda e ao saudoso poeta Nidoval Reis


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O Jornal da Cidade, edição de 12/5, pág. 2, publicou carta de despedida da sra. Hilda Reis, sob o título “Adeus, querida Bauru”.

Da. Hilda Reis, esposa do falecido poeta e jornalista Nidoval Reis, despede-se de Bauru e de seus amigos, transferindo residência para a sua terra natal, Bom Jesus (da Lapa), na Bahia, para viver ao lado de sua irmã Alice e de sobrinhos.

Seu esposo, o poeta e ilustre jornalista, faleceu em Bauru, em 15 de fevereiro de 1985. Ao ler a carta da sra. Hilda despedindo-se de Bauru, lembrei-me emocionado do inesquecível e estimado Nidoval Reis. Quando se sofre um insucesso na vida, naturalmente causa-nos um abatimento moral ou físico. Candidatei-me a reeleição ao cargo de vereador, nas eleições de novembro de 1982. Nesse meu primeiro mandato havia exercido os cargos de 1.º secretário e presidente da Câmara Municipal e de prefeito municipal interino, período de 6/5/82 a 13/5/82, por afastamento por licença do prefeito Oswaldo Sbeghen.

Nidoval Reis, prezadíssimo amigo, festejado poeta e ilustre jornalista, enviou-me uma carta que até hoje tenho guardada em meu arquivo. Suas palavras de incentivo, pelo revés sofrido, comprovava o grande amigo e a pessoa sensível, própria do poeta que era. Peço licença para transcrevê-la, revivendo a saudade do poeta e jornalista, sentindo, hoje, a despedida da sra. Hilda Reis, sua esposa, de Bauru, com votos de felicidade na nova residência, junto com seus familiares.

“Professor Rodolpho.

Sei da desolação que lhe vai na alma. Não pelo que representava em sua vida, o cargo de vereador, mas sim pelo muito que o senhor sempre fez de todo o coração para o bem-estar do nosso povo.

As urnas lhe foram desfavoráveis, mas pode crer que todo aquele seu desinteressado trabalho em prol do seu semelhante será lembrado por todos nós que víamos na sua figura de legislador o homem de lutas que procurava dar tudo de si para que a coletividade pudesse viver condignamente em clima de bem-estar e tranqüilidade.

Desnecessário é dizer que vamos, todos nós, seus amigos e eleitores, sentir e muito a sua falta na tribuna da nossa Câmara Municipal, assim como no contato diário com todo aquele que fosse procurar buscando orientação para a solução dos seus problemas.

Por sua fidalguia, sua lhaneza de trato, por seu caráter, por sua honorabilidade, a sua ausência do Legislativo vai ser, sem sombra de qualquer dúvida, uma perda irreparável.

Acredite-nos, quer por suas prerrogativas de professor, quer por irrepreensível conduta como representante de grande parte do povo bauruense em nossa Câmara Municipal.

Para os fortes o insucesso é o maior dos incentivos e nós não cremos no seu afastamento em definitivo das lides políticas. Outros dias virão e há sempre uma esperança de melhor colheita se soubermos, confiantes em Deus, tratarmos a semente.

Seu amigo, Nidoval Reis, 13/12/1982.”

Rodolpho Pereira Lima

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