Internacional

Irã recusa plano e sugere contraproposta

Folhapress
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Teerã - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou ontem que a União Européia (UE) está tratando seu país como se ele fosse uma criança, disposta a aceitar “a troca de ouro por chocolate”. A afirmação zombeteira se referia à proposta que o bloco europeu anunciou estar elaborando, pela qual o Irã receberia tecnologia de ponta na área nuclear, como contrapartida ao compromisso de interromper o enriquecimento de urânio. “Vocês acham que estão lidando com uma criança, para a qual dão confeitos de nozes e chocolates e tiram o ouro dela?”, indagou o presidente, em ato público na cidade de Arak.

É a terceira resposta negativa do Irã a um plano ainda não oficializado pelos europeus, o que sinaliza novo impasse na crise que surgiu com indícios de que a República islâmica tem como verdadeiro e oculto propósito a construção da bomba atômica.

O assunto está no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), onde a Rússia e a China se opõem à votação de sanções, que são estimuladas pelos Estados Unidos, Reino Unido e França. Os cinco países são membros permanentes daquele colegiado.

Seus representantes deveriam se reunir amanhã, em Londres, para formalizar a oferta anunciada no início da semana. Mas a intransigência iraniana, ao recusá-la antes de conhecer seus detalhes, levou ao cancelamento do encontro, remarcado agora para terça-feira. Um porta-voz da diplomacia britânica disse que o adiamento “tem como objetivo detalhar melhor a oferta a ser feita ao Irã”. A Rússia exortou o país islâmico a negociar.

O Irã, a exemplo da UE, ofereceu incentivos econômicos aos países do bloco para poder manter suas atividades de enriquecimento de urânio. “Nós estamos preparados para oferecer vantagens econômicas à Europa em troca do reconhecimento de nosso direito (de enriquecer urânio)”, afirmou Hamid Reza Asefi, porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores. “O mercado de 70 milhões de consumidores iranianos é um bom incentivo para a Europa”, acrescentou Asefi.

Os países europeus têm acesso ao mercado iraniano, mas, nos anos recentes, o país se mostrou mais voltado para acordos comerciais com a Rússia e a China.

Segundo Ahmadinejad, o Irã “confiou” na UE em 2003 e suspendeu suas atividades nucleares, como um gesto de comprometimento com as negociações, mas os europeus exigiram em seguida que o país suspendesse permanentemente o enriquecimento de urânio.

Acordo

No acordo selado em 2003, a UE pedia garantias de que o programa nuclear iraniano não fosse desviado de objetivos civis para a produção de armas. O Irã concordou com a exigência, mas as negociações foram suspensas em 2005, quando os europeus exigiram que o país deixasse permanentemente suas atividades com urânio. Na ocasião, o Irã respondeu retomando as atividades na usina nuclear de Isfahan. “Nós não seremos enganados duas vezes”, disse Ahmadinejad. “Nós recomendamos que vocês não sacrifiquem seus interesses pelos de outros”, afirmou ele, em um aparente aviso à UE em relação à seu apoio aos EUA. Ahmadinejad reiterou sua ameaça de deixar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) se a pressão internacional para que o Irã deixe suas atividades com urânio.

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