Brasília - A CPI do Tráfico de Armas vai pedir à Justiça a prisão dos supostos advogados do Primeiro Comando da Capital (PCC) Maria Cristina de Souza e Sérgio Wesley da Cunha. Os dois são suspeitos de ter repassado por audioconferência o depoimento sigiloso prestado pelos delegados da Polícia Civil de São Paulo Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), à comissão.
Os advogados serão investigados também pelo Deic, pelo crime de formação de quadrilha.
A íntegra do depoimento - gravada em dois CDs - foi vendida aos advogados por R$ 200,00 pelo ex-funcionário da Câmara Arthur Vinicius Silva, que atuava na sala de áudio da CPI. Os CDs foram entregues na quarta-feira passada aos advogados e transmitidos no mesmo dia -por audioconferência- a integrantes da cúpula do PCC.
Nas próximas semanas, Silva deve participar de uma acareação com os advogados.
O ex-funcionário da Câmara chegou a ser ameaçado de prisão, mas como concordou em colaborar com a CPI e com as investigações, será tratado como "réu colaborador". "Não tive conhecimento do que tratava o CD. Me ofereceram grana. A idéia do dinheiro me tentou. Infelizmente, não ganho bem. Fui corrompido", disse Arthur Vinicius. "Estou aqui porque as conseqüências do que fiz foram gigantescas", acrescentou.
Quando as informações chegaram ao líder do PCC, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, ele ordenou o início da série de 251 ataques a forças de segurança e de 80 rebeliões de presos que atingiu diversos pontos do Estado de São Paulo.
Preocupação
Na última quinta-feira, Ferraz telefonou para o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e relatou que Marcola havia demonstrado conhecer o teor da audiência da CPI, o que gerou a investigação.
Em telefonema ao mesmo deputado, Bittencourt teria dito que as informações não foram a razão da onda de violência. "O Godofredo me ligou e disse que não foi isso que gerou tudo, mas que pode ter ampliado ou multiplicado a reação do PCC", disse Faria de Sá.
"Eu não posso dizer que somos co-autores disso (ação do PCC), mas o vazamento contribuiu para a escalada do PCC até porque a organização ficou sabendo dos planos da Polícia", afirmou o deputado Raul Jungmann.
"Eu acredito que a violência já tinha algum planejamento, mas sem dúvida o vazamento pode ter sido a gota d'água", acrescentou o deputado Moroni Torgan.
Na audiência, os delegados informaram, segundo a CPI, que transfeririam e isolariam um grupo de presos considerados de alta periculosidade -incluindo líderes da facção- e que tinham conhecimento do plano dos criminosos de promover uma megarrebelião no domingo passado, Dia das Mães.