José Maria Estevam, acompanhado dos filhos Diogo, Daniel e Danilo, saiu da sedutora Ushuaria no dia 15 de fevereiro com destino a Puerto Natales.
O dia estava claro e a temperatura em torno dos 8ºC, com ventos amenos. Seguiram pela mesma Rota 3, retornando a San Sebastian, Argentina, superando 120 quilômetros em rípio (estrada de pedriscos) e mais 34 quilômetros por excelente asfalto, com paisagens inesquecíveis, atravessando o Estreito de Magalhães.
“Antes mesmo do embarque no navio “Pionero”, pudemos observar no atracadouro aviso sobre campos minados, atestando os conflitos entre os dois países num passado recente”, detalha José Maria.
Desembarcaram e foram atingidos na Rota 255 já em território chileno, por uma forte tempestade. Horas de direção e quilômetros vencidos, chegaram às 22h em Puerto Natales e se hospedaram no Hostal Internacional, pagando R$ 20,00 por pessoa. Por estar localizado no Centro, aproveitaram para conhecer a cidade e comer.
No dia seguinte, às 5h estavam prontos para seguir até Torres del Paine. “Puerto Natales está situada próxima ao Seno Última Esperanza e, apesar de sua encantadora aparência, na verdade serve principalmente de base para passeios e prática de esportes na região”, detalha José Maria.
Depois de percorrer cerca de 60 quilômetros, no dia 16 de fevereiro, chegaram à Estância Cerro Castillo, e depois até a sede administrativa do Parque Nacional Torres del Paine (mais 80 quilômetros em rípio), declarada reserva da Biosfera pela ONU em 1978 e que guarda uma rica fauna e flora de inestimável valor e exuberante beleza em seus 242.200 hectares.
Guanacos, ñandús, cisnes, pumas, huemuls foram observados pelo grupo. “Os guanacos adornam as margens da estreita pista de rípio e não devem ser tocados, uma vez que são extremamente hábeis em “cuspir” uma substância ácida nos olhos dos mais ousados”, explica José Maria. Com óculos de proteção para o frio, os Estevam ficaram a menos de três metros de distância deles e também de raposas (zorros) que habitam o parque.
Os senderos
“A flora, no verão, é privilegiada, com uma encantadora vegetação rasteira. Destaque para os pés de Calafate que se assemelham às nossas jabuticabas”, narra José Maria. O parque conta com 18 trilhas (senderos), perto de 130 quilômetros para quem deseja caminhar em temperaturas variando entre 2,5 º C (mínima no inverno) e 15º C (máxima no verão), trecho com lagos, cachoeiras com coloração variando do verde ao azul, montanhas de picos nevados (mesmo no verão) e no fundo lugares únicos para meditação e orações.
No parque funciona o requintado hotel Salto Chico, do grupo explora, que apesar de ter diárias altíssimas, recebe grupos seletos o ano todo e está sempre com reservas lotadas para a próxima temporada.
Mochilas na estalagem, os Estevam foram conhecer o Lago Grey para presenciar os blocos de gelo que se desprendem do Campo de Hielo Patagónico Sur e chegar até o mirante, próximo da Hosteria Lago Grey. Encantados, foram almoçar cordeiro na Posada Rio Serrano.
Por volta das 13h deixaram o parque em direção a El Calafate, Argentina, cruzando a fronteira entre os dois países por Estãncia Cerro Castillo (Chile) e Cancha Carreira (Argentina), chegando ao destino por volta das 19h30.
A cidade oferece uma gama de atrações turísticas, com destaque para os glaciais Perito Moreno e lugares charmosos para se comer e fazer compras.
Na manhã do dia 18 de fevereiro partiram de El Calafate para a Península Valdés, percorrendo perto de 200 quilômetros até a Rota 3, rodando até Caleta Olívia (Argentina), uma acolhedora cidadezinha.
Dormiram no Don David, com apartamento de madeira e no dia 19 madrugaram para cumprir agenda extensa: chegar a Puerto Madryn (Argentina), distante mais ou menos 500 quilômetros de Caleta Olívia, desviando pouco depois para Punta Tombo, banhada pelo oceano Atlântico.
Pela manhã estavam na área protegida destinada à procriação de pingüins. “Não dá para acreditar. São quilômetros de praia repletas de pingüins, muitos filhotes com três meses de vida, desengonçados, porém graciosos, permitindo aproximação”, afirma José Maria.
Essa espécie de pingüim é monogâmica e a cada ano quando voltam para Punta Tombo abrigam-se sempre nas mesmas tocas.