Não era Natal nem dia do trabalho, mas as ruas de todo o Estado de São Paulo ficaram vazias nesta segunda-feira, 15 de maio. Resultado da insegurança provocada pela onda de violência que aterrorizou os cidadãos paulistas e parou sobre a maior cidade da América Latina.
A facção criminosa mais perigosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), foi responsável pelos mais de 250 atentados às forças de segurança pública desde a noite de sexta-feira (12). Os criminosos deflagraram rebeliões simultâneas em 82 unidades prisionais e, ao lado de fora das grades, orquestraram ataques a alvos policiais, dezenas de ônibus e agências bancárias em diversos pontos do estado paulista. Paraná e Mato Grosso do Sul, porém, em menores proporções, também não saíram ilesos da que ficou conhecida como “Guerra Urbana”.
Nesse fogo cruzado entre polícia e criminoso, o cidadão comum tornou-se refém do medo, sentindo-se preso dentro de sua própria casa. Já o prisioneiro teve plena liberdade de ação, invertendo assim papéis da sociedade.
Acontece que o buraco é muito mais embaixo. A falência nos sistemas judiciário e prisional remonta às suas criações. O sistema carcerário brasileiro não pune ou corrige, pelo contrário, corrompe. Ao invés de reintegrar o preso à sociedade, de maneira que não volte a cometer crimes, a estrutura penitenciária geralmente o torna mais delinqüente.
Bloqueadores de celulares nas áreas de prisões são profundamente necessários. Mas, sobretudo, medidas como melhorias e aumento do número de unidades prisionais evitariam superlotações e, conseqüentemente, impediriam a insatisfação dos presos e possíveis rebeliões. Outra providência imprescindível é que sejam criadas oportunidades de reintegração social através do trabalho do condenado.
Diante dessa situação, não só o governo federal, mas sobretudo os estaduais e municipais precisam e devem melhorar a estrutura do sistema judiciário, prisional e de policiamento. Antes que o PCC e outros bandos sediciosos (que perturbam a ordem pública), como o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, se tornem em escolas, e até universidades do crime.
Paula Jorge Pulga - aluna do 3.º termo de Jornalismo da Unesp-Bauru - RG 44.091.490-5