Ancara - Cerca de 25 mil pessoas se manifestaram ontem na Turquia para protestar contra a morte de um juiz, morto a tiros por um advogado que invadiu uma corte judicial. A multidão protestou contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, acusado pelos secularistas de manter uma agenda islâmica “secreta”, ao trazer a religião para a vida púbica.
Os manifestantes vaiaram ministros do governo quando eles tentavam entrar na mesquita de Ancara para atender ao funeral do juiz Mustafa Ozbilgin. Carregando cartazes com frases como “Assassinos, saiam!” e “Governo, renuncie!”, milhares de pessoas gritavam enquanto a polícia tentava abrir caminho para a entrada dos ministros e representantes - entre eles, o vice-premiê, Abdullatif Sener.
Segundo a polícia, o advogado islâmico Alparslan Arslan, 29 anos, invadiu ontem a Segunda Sala da Corte Suprema Administrativa de Ancara com uma arma e disparou contra um grupo de juizes que estavam reunidos, matando um deles e ferindo outros quatro. Testemunhas asseguraram que Arslan gritava “Allahu Akbar” (‘Deus é o maior’) enquanto atirava contra os juizes e tentava fugir do local.
Ontem, a polícia turca deteve nove suspeitos de ligação com o crime. Cinco suspeitos foram detidos em Ancara e outros quatro em Istambul. O último detido em Ancara, identificado como Osman Y., foi levado ao departamento antiterrorista da polícia da cidade, após passar por exames médicos.
Islâmicos turcos criticaram intensamente a decisão tomada em fevereiro pela corte atacada, que proibiu uma professora de utilizar o véu islâmico na escola onde trabalha, e até mesmo no caminho para o trabalho. Secularistas são contra o uso do véu e acusam Erdogan de tentar criar um “Estado islâmico”.
Após ser detido pela segurança da Corte, Arslan afirmou, em seu depoimento à polícia, que seu ataque foi uma “vingança” pela decisão da sala contra o uso do véu islâmico. Líderes políticos turcos condenaram o ataque - incluindo Erdogan - e pediram que a população se una e não utilize o assassinato com propósitos políticos.