Nacional

Bloqueio em prisões começa com falhas

Por Crisitiano Machado e Mariana Campos | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente Venceslau- O bloqueio do sinal de celulares ao redor de penitenciárias do Estado de São Paulo começou com falhas ontem. Aparelhos funcionaram em alguns pontos ao redor de presídios de pelo menos quatro das seis cidades em que a restrição foi ordenada pela Justiça.

Na última quarta-feira, o juiz Alex Zilenovski determinou que os serviços de telefonia móvel nas penitenciárias de Araraquara, Avaré, Franco da Rocha, Iaras, Presidente Venceslau e São Vicente fossem suspensos em até 48 horas.

Segundo a sentença, a medida foi tomada para “paralisar, senão dificultar, os contatos entre líderes de facções criminosas e seus operadores”. Uma hora e meia depois do prazo dado pela Justiça para que as operadoras bloqueassem o sinal da telefonia celular nas proximidades de presídios de seis cidades do Estado, o sistema da empresa Vivo funcionava normalmente em Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo).

Na cidade há duas unidades prisionais. Uma delas, a penitenciária 2 Maurício Henrique Guimarães Pereira, recebeu 765 presos no dia 11, a maioria supostos líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Aparelhos da TIM e da Claro, que também operam na cidade, não apresentavam sinal tanto ao redor da penitenciária como também no centro da cidade - uma distância de cinco quilômetros.

Em razão disso, o prefeito de Presidente Venceslau, Angelo Malacrida (PT), pediu a seu departamento jurídico que estude medidas para suspender o bloqueio.

“Já que não se consegue evitar que o celular entre no presídio, a limitação deve ser em cada presídio. A população não deve ser penalizada pela ineficácia do governo estadual.”

Moradores da cidade se mostraram insatisfeitos com a medida. “Não tenho telefone fixo em casa e o celular é o único meio que tenho para falar com parentes”, disse a doméstica Maria da Conceição Cardoso, cliente da TIM. Outros já contabilizam prejuízos. “Acho que vou perder R$ 500 nesses 20 dias”, disse Manoel Corrêa Lima, 57 anos, caminhoneiro que transporta mudanças e entulhos. “Meu ponto é aqui na praça, e a única forma que tenho de comunicação rápida é o celular. Sem o telefone estou perdido.”

Em São Vicente, no litoral paulista (74 km a sudeste da capital), a reportagem testou celulares das operadoras Claro, Tim e Vivo e não conseguiu fazer ligações dos aparelhos das duas primeiras.

Já as ligações realizadas através do aparelho da Vivo estavam sendo feitas normalmente até as 16h. Depois desse horário, a reportagem não conseguiu telefonar.

O sinal das operadoras foi cortado para impedir a comunicação dos presos das penitenciárias 1 e 2 e do Centro de Detenção Provisória (CDP). As três unidades ficam às margens da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, próximo ao km 66, no Samaritá.

O local é afastado cerca de 12 km do centro da cidade e é cercado por árvores e vegetação. Como a rodovia é caminho para quem segue ou volta do litoral sul paulista, o motorista que passar pelo local também será afetado pela falta de sinal.

Nos bairros mais próximos, como Parque Continental, Humaitá e Jardim Rio Branco, que podem ser afetados pelo corte de sinal, a população estava dividida. Lá vivem cerca de 60 mil pessoas.

O motorista Severino Alves, 63 anos, morador do Humaitá, usa o celular para trabalhar e disse ser contra a medida. “Isso não vai acabar nunca. Se cortarem o sinal, eles vão arrumar um jeito de falar. O problema é corrupção.” Já o comerciante Afonso Stamato de Barros, 50 anos, afirmou ser favorável à decisão. “Vivemos tanto tempo sem celular e não reclamávamos. Pela segurança, pode tirar tudo.”

O prefeito de São Vicente, Tércio Garcia (PSB), está a favor do corte. “Toda vez que se toma um remédio, há um efeito colateral. Neste momento, é preciso tomar medidas para garantir a própria segurança da população.” Segundo a Vivo, o sinal em todas as localidades foi cortado antes das 13h.

A empresa informou que, depois desse horário, precisou fazer ajustes para garantir que não houvesse comunicação nas áreas determinadas.

Comentários

Comentários