Internacional

Integrante do Hamas é preso com 639 mil euros escondido na cintura

Folhapress
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Gaza - As tensões entre as duas facções que dividem o poder palestino se agravaram ontem, quando um membro do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) foi interceptado ao tentar passar do Egito para a Faixa de Gaza com 639 mil euros (mais de R$ 1,7 milhão) colados na cintura. Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, foi detido por policiais leais ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que determinou a abertura de investigação criminal.

Logo após a interceptação, cerca de 100 homens da segurança do Hamas foram à fronteira para defender Abu Zuhri. A guarda de elite de Abbas também foi mobilizada, mas não houve confronto na fronteira. Em outros pontos de Gaza, entretanto, a violência iniciada na madrugada de ontem teve novos desdobramentos. Três homens do Hamas ficaram feridos em um tiroteio com forças do Fatah, a facção do presidente Abbas.

O clima de rivalidade se agravou anteontem, quando o Hamas, desafiando as advertências de Abbas, colocou em operação uma nova milícia armada de 3 mil homens em Gaza, em mais uma demonstração de divisão entre os palestinos. A secretária de Estado dos EUA, Condolleeza Rice, alertou que o surgimento de uma força de segurança paralela criava uma “situação perigosa” nos territórios palestinos.

O governo palestino vem sofrendo grave asfixia financeira desde que foi assumido pelo grupo Hamas, que passou a ser boicotado pelos principais doadores estrangeiros por sua recusa em abandonar a violência e reconhecer o direito de existência de Israel. A ajuda externa representa aproximadamente metade do orçamento palestino.

O Hamas alegou que o dinheiro que Abu Zuhri carregava era de doações ao novo governo e para palestinos presos. “É crime entrar com dinheiro?”, indagou o premiê palestino, Ismail Haniyeh, ao defender o porta-voz do grupo. Além de suspender sua assistência financeira, o boicote imposto por EUA e União Européia tornou difícil a chegada de fundos de países da região, já que a maioria dos bancos teme sofrer retaliações se efetuar transferências para o Hamas.

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