Política

Comedido, Maluf busca o Congresso

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-prefeito de São Paulo e pré-candidato a deputado federal Paulo Maluf (PP) afirmou que não tem condições de competir contra o poder econômico do PT, ou contra a máquina pública que o PSDB tem no Estado. Com as esperadas alfinetas e o longo discurso em torno de suas realizações no governo, ele afirmou que não disputa o comando do Palácio dos Bandeirantes neste ano. Maluf esteve em Bauru ontem, já de olho nas eleições de outubro.

Para Maluf, o dinheiro do Tesouro Nacional, em Brasília, é um “valerioduto” para os cofres de um partido. No Estado, segundo Maluf, o PSDB tem a máquina. “Eles têm o governo do Estado, tem a prefeitura da Capital, inúmeras prefeituras, de maneira que a imagem que eu tenho de realizador, com as obras que eu fiz, e a perspectiva que eu teria de dar à população, não são suficientes para vencer o poder econômico do governo”, frisou.

Apesar de aparecer com a também esperada margem de cerca de 10% das intenções de voto para o governo do Estado, nas pesquisas em que seu nome era incluído, Maluf destacou que não pretende mudar de idéia e ser candidato a governador. “Com a minha experiência não só no problema do combate à violência, mas em educação pública, em saúde pública, em construção de casas populares, com a minha experiência em geração de empregos, posso prestar um relevante serviço não só a São Paulo, pedagogicamente, como também a todo o Brasil”, declarou.

Nem o problema de segurança pública - um de seus temas prediletos em campanhas eleitorais - o anima a mudar sua candidatura. Ele justifica que não pode ser um candidato “circunstancial”. “Precisa ter projeto. Não é que eu sou candidato a deputado e deixo de ser por causa da violência”, ressaltou. “Tenho que ser realista. Tenho vocação de homem público e preciso verificar em que cargo eu posso melhor desempenhar minhas funções no momento. E atualmente eu acho que como deputado federal eu tenho reais chances de ser eleito”, completou.

Maluf já fala em tom de certeza de que poderá ser um dos deputados mais votados em São Paulo, sobretudo na Capital. Contudo, ele não quis fazer projeções sobre ser o mais votado do Estado.

“Saber quantos votos a gente vai ter é difícil, porque eu faço política no Estado há muitos anos e tenho muitos serviços prestados. Eu não sei traduzir o que os serviços prestados revertem em votos. Muitas vezes você fez muito por uma cidade e nem sempre é o mais votado. Outras vezes, você fez um pouco menos e por razões psicológicas você é o mais votado. Por exemplo, se depender do problema de segurança pública, com certeza na cidade de São Paulo, onde o clima é de terror, o Paulo Maluf deve ser o mais votado, não só pelas obras que fez, mas pela circunstância”, afirmou.

De joelhos

O ex-prefeito paulistano também analisou a situação política atual, nos governos federal e estadual. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem culpa nos casos de corrupção que ocorreram em Brasília, mas errou ao escolher os companheiros de governo. “Não posso acreditar que um homem que perdeu quatro eleições e ganhou a quinta queira ser presidente da República para sujar sua biografia. Mas o que aconteceu no governo Lula foi que ele se cercou de “companheiros” e nem sempre o amigo que serve para tomar o cafezinho na esquina serve para ser ministro”, disse.

No caso do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato à Presidência, Maluf afirmou que é “um homem correto”, que fez um bom governo, mas falhou no quesito segurança pública. “Como ex-governador eu posso atestar que ele fez um bom trabalho na maioria das secretarias, mas pecou na segurança. Eu tive na Febem duas rebeliões, ele tem duas por semana. Em quatro anos eu tive um seqüestro, ele tem sete por semana, então tem alguma coisa que não está certa”, frisou. “O governo ficou de joelhos”, afirmou.

Apesar de analisar os dois principais candidatos a presidente, Maluf não quis fazer apostas sobre quem vencerá as eleições de outubro.

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‘Prisão 100% política’

Paulo Maluf também falou sobre sua prisão, em setembro do ano passado, juntamente com o filho, Flávio Maluf. Segundo ele a prisão foi política. “Foi uma injustiça que foi praticada por quem não tem autoridade moral para praticar essa injustiça comigo. Quem tinha que estar preso era a quadrilha que está em Brasília, e quem diz isso não é o Paulo Maluf, é o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que diz que tem 40, entre ministros, ex-ministros, deputados e ex-deputados que tem de ser processados e condenados”, disse.

Para ele, sua prisão, assim como a de Eliana Tranchesi – proprietária da Daslu – e da família Schincariol, foi um “espetáculo global para jogar uma cortina de fumaça sobre toda a sujeira que estava acontecendo em Brasília”. “Eles não conseguiram, porque graças a Deus o Brasil tem Estado de Dierito, e o Supremo Tribunal Federal diz, está lá escrito, que a prisão do Paulo Maluf e do seu filho não tinha base jurídica, foi ilegal e causou danos irreparáveis”, salientou.

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