O profissional ético, produtor de conhecimento capaz de escapar da tentação da facilidade proporcionada pela era da Internet, é formado em que momento de sua vida? Denise Fon, membro da comissão de ética do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP) defende que apenas a faculdade não dará conta desta tarefa.
Fon defende que o ensino da ética deve ser priorizado, desde a educação básica, por pais e escolas. “Não dá para esperar um cidadão ético se os pais mentem descaradamente para os filhos. Desde mentirinhas que parecem inofensivas, como quando o telefone e o pai ou a mãe fala para o filho: ‘diz que eu não estou’. Ou os pais que não repreendem o filho que joga o papel de bala no chão”.
Se a criança tem uma base educacional ética, de acordo com Fon, quando for estudante universitário estará mais propenso à assimilação dos ensinamentos filosóficos e de ética. Na avaliação da jornalista Carina Paccola, coordenadora de Mídia Jovem da Andi, a aluna que a plagiou carecia destes valores.
“Meu artigo não era científico e não tinha nenhuma validade acadêmica. Mas a questão é outra. Acredito que essa menina tem uma falha na educação: não aprendeu alguns conceitos e valores básicos em casa e nem na escola.”
Tanto Fon quanto Paccola salientam a importância de uma formação ética desde a infância, mas não descartam o papel fundamental das universidades. Fon afirma que a universidade deve reforçar a conduta ética direcionada para a profissão do aluno. “Mas não é possível esperar que apenas a universidade vá formar profissionais éticos”.
Já a jornalista da Andi ressalta que as universidades devem ficar mais atentas em função do advento da Internet. “Com a facilidade proporcionada pela Internet, todos sabemos que qualquer pessoa pode copiar qualquer coisa sem respeitar o direito de autoria. Portanto, acredito que as faculdades têm que adotar uma política rígida e séria diante desse tipo de infração, até porque são instituições que têm uma grande responsabilidade diante da sociedade. Afinal, estão formando os profissionais que vão atuar na sociedade e têm o dever de proporcionar uma formação ética e moral.”
O professor de Ciência da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Palazzo de Oliveira, em artigo (“Plágio e Ética”) publicado em sua homepage www.inf.ufrgs.br/~palazzo, é bem contundente em relação à responsabilidade das universidades. No site ele fala da necessidade de uma campanha nacional nas universidades sobre plágio.
“Acho que está na hora de lançarmos uma campanha nacional nas universidades sobre o tema. Não é absolutamente aceitável a cópia de trabalhos alheios sem sua citação. É preciso uma campanha educativa e, ao mesmo tempo, uma repressão enérgica. Por um lado é essencial que deixemos claro para nossos alunos que fazer cópias sem dar os créditos é errado. Isto deve ser feito desde pequenas coisas como colocar figuras em trabalhos acadêmicos sem citação da fonte, estes pequenos detalhes são a origem da insensibilização para cópias maiores. Na UFRGS foi adotado o código disciplinar discente, citado em minha página sobre a honra, que pune estas atitudes.”