A jornalista Carina Paccola, coordenadora de Mídia Jovem da Agência Nacional dos Direitos da Infância (Andi), ficou surpresa quando em uma busca na Internet encontrou um artigo seu publicado na íntegra, inclusive com o mesmo título, e com uma assinatura que não era a sua. O texto “A Face Oculta das Jornalistas” havia sido escrito em 2001 para o projeto de pesquisa, com versão impressa e eletrônica, “Triálogos”.
O plágio só foi descoberto pela autora no final do ano passado. O texto estava no Canal da Imprensa, revista eletrônica do curso de Comunicação Social do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), com a assinatura de uma aluna, desde 2002. A reação foi de profunda indignação. A jornalista entrou em contato com o veículo, alertou para o plágio e solicitou a retirada do artigo, o que foi feito. Atualmente, a plagiadora já atua como jornalista profissional. Seu nome não será citado, uma vez que ela não foi localizada pela reportagem.
A jornalista Carina Paccola também encaminhou o ocorrido para Denise Santana Fon, membro da comissão de ética do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, que está avaliando o caso. “Depois de passada a indignação ao ver a assinatura dela (aluna do Canal da Imprensa) num texto meu, seria mais cômodo para mim, agora que o artigo foi tirado do site, deixar tudo como está. Mas tinha que tomar uma atitude. Principalmente, porque estamos falando de uma jornalista que tem como instrumento de seu trabalho a busca pela informação. Por isso, acredito que esse tipo de infração é mais grave na nossa profissão, o que reforça minha opinião sobre a necessidade de termos o Conselho Federal dos Jornalistas.”
Em casos de plágio, o procedimento da comissão de ética é buscar primeiro o entendimento entre as partes. O objetivo é fazer com que aquele que plagiou assuma a atitude e suas conseqüências, que pode ser inclusive de indenização da vítima, ou mesmo, que haja um esclarecimento sobre um possível equívoco. Caso não haja o entendimento, é feito o encaminhamento judicial da questão. Dependendo da gravidade há também a publicação do caso no Jornal Unidade, impresso da entidade.