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Sistema de saúde exclui os idosos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Embora a população idosa seja crescente no País, é preterida, inclusive, pelo sistema de saúde. A situação, velada nos corredores dos hospitais, já foi discutida tanto pelo Conselho Municipal de Saúde de Bauru quanto pelo Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) da cidade. O Ministério Público também foi acionado para resolver casos pontuais.

Um dos mais recentes envolveu um senhor de 92 anos, que aguardou internação por 14 dias no PSC. Na ocasião, os hospitais que atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) alegaram falta de vagas para recebê-lo. O problema teria resultado numa recente pactuação entre a diretoria do pronto-socorro, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e o Hospital Estadual de Bauru (HE).

Na reunião, realizada junto à Direção Regional de Saúde (DIR-10), ficou acordado que os pacientes dependentes de internação sejam removidos em 24 horas do PSC. No entanto, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde, a recomendação foi apenas reiterada durante o encontro, promovido para discutir outros assuntos.

“Existe mesmo (resistência em internar pacientes idosos vítimas de doenças crônicas), mas está dando certo (o entendimento firmado)”, afirma Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do PSC e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde. Ela explica que, alguns dias antes da reunião, a dificuldade de internação já havia sido sanada.

Doença crônica

A informação foi confirmada por um funcionário do PSC, que preferiu ter o nome preservado. De acordo com ele, as dificuldades de internação são maiores para os pacientes idosos, vítimas de doenças crônicas ou que tenham mais de um problema associado. É o caso de quem sofre de diabetes, hipertensão e contrai ainda uma doença pulmonar.

“Neste caso, a internação é prolongada e mais difícil. Um jovem com pneumonia, por exemplo, recebe alta em quatro dias. O idoso pode ficar até duas semanas e tem mais chance de ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O custo é maior. Mas ninguém alega isso, fala que não tem vaga”, comenta.

Essa foi a informação transmitida à família de Aparecida de Souza, 84 anos. Já aconteceu dela esperar por cinco dias no PSC para ser internada. Com problemas cardíacos, quase uma vez ao mês ela recorre à assistência médica.

“Ninguém fala abertamente. Enquanto filha, a gente percebe que não dão preferência. Ela também precisa de transplante de córnea, mas dão preferência para os mais jovens. Mas ela é sempre bem atendida, tanto aqui quanto no hospital”, explica Angelina de Souza. Há cerca de dez dias, ela acompanhava a mãe – com suspeita de pneumonia – no Pronto-Socorro.

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