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Baixa rotatividade é desvantajosa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Prolongada, a internação de idosos normalmente diminui a rotatividade de pacientes nos hospitais. A situação dificultaria o atendimento de quem já ultrapassou os 60 anos e sofre de doenças crônicas. A avaliação partiu de dois médicos ouvidos pelo JC, que concederam entrevista com a condição de permanecerem no anonimato.

Embora não trabalhem na mesma instituição, foram unânimes ao afirmar que o problema é comum em hospitais que vislumbram na internação uma forma de remuneração. “Nesta lógica, fica difícil. Quanto mais tempo (internado), menos ganha. Às vezes, até gasta mais. Aí não compensa”, comenta um deles.

De acordo com o entrevistado, os dias de internação não são reembolsados. A tabela de valores do SUS prevê pagamento por procedimentos realizados. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Mas segundo o órgão, a situação é diferente quando o paciente depende de cuidados na UTI. Neste caso, além dos procedimentos, a internação também é remunerada.

Falta de vagas

Problemas dessa natureza normalmente ficam restritos aos hospitais. À população chega apenas a tão conhecida falta de vagas. “A gente sabe que, pelo SUS, existe muita demanda e pouco espaço físico. Mas não tive conhecimento (de que a situação tivesse alguma relação com o quadro de saúde dos pacientes idosos). A orientação é bater o pé e até chamar a polícia”, recomenda Ubaldo Benjamin.

Presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa e titular do conselho estadual, ele não descarta a possibilidade dos idosos serem preteridos no atendimento público de saúde. O problema também não foi desconsiderado pelo presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, Mário da Paz Pereira.

“Também não recebemos denúncia. O serviço público deixa muito a desejar, principalmente para quem tem idade avançada e baixo poder aquisitivo. Aqui, nós temos um convênio médico. É mais barato”, explica. Os associados com mais de 60 anos pagam R$ 260,00 mensais.

“25% dos associados recebem o salário (mínimo). Dependem da ajuda de um filho, senão não dá”, comenta. De acordo com pesquisa realizada pelo JC, para pagar um plano de saúde individual o idoso tem de desembolsar, pelo menos, cerca de 70% do salário mínimo (R$ 350,00). Os planos mais caros ultrapassam a casa dos R$ 600,00.

Fala povo

“Você acha que o idoso é preterido ao receber atendimento médico?”

“Acho que preferem os jovens porque acham que o velho não tem mais valia”, Pedro da Rocha Higino, 72 anos.

“Acham que estão velhos e não precisam mais de tratamento. Preferem os jovens”, Lázara Gomes Heleno, 71 anos.

“Idoso não tem preferência. Demora para atender e não é bem atendido, nem quem tem plano de saúde”, Elvira Negrão, 78 anos.

“Não posso dizer que é tratado igual, mas sempre fui bem atendido”, Antônio Higino da Rocha, 70 anos.

“Não tem diferença. Sempre fui bem atendida”, Doraci Palhares, 63 anos.

“Não interessa se é jovem ou idoso, não atendem ninguém”, Geni Rodrigues Cardoso, 71 anos.

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