Rio - A paixão pelo futebol pode trazer não só o hexacampeonato para o Brasil como também alavancar o desempenho da economia. Copa do Mundo virou sinônimo de maior consumo, e os principais beneficiados são os setores de eletroeletrônicos, tintas, bebidas, plásticos, turismo e publicidade.
Segundo representantes desses setores, a Copa contribui para aumentar o consumo das famílias. “Há mais entusiasmo, mais otimismo, mais gasto e mais consumo”, afirma Dilson Ferreira, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).
No caso do setor de tintas, o impacto da decoração de ruas, calçadas e muros é pequeno porque os consumidores escolhem produtos mais baratos para pinturas temporárias, mas os efeitos de uma vitória do Brasil podem influenciar as vendas de diversos produtos.
Segundo Ferreira, o impacto da Copa no mercado é de 0,5%, o equivalente a R$ 130,5 milhões. A tinta imobiliária representa 60% do faturamento do setor e há também aumento nas vendas de tintas usadas em eletrodomésticos como geladeiras e máquinas de lavar e em automóveis. Ao contrário do que ocorre no setor de tintas, em que o preço baixo determina a compra, o setor de eletroeletrônicos aproveita o período para lançar produtos de maior valor agregado.
Segundo Paulo Saab, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), o consumidor brasileiro gosta de novas tecnologias. “Com juros reduzidos, oferta de crédito e o estímulo da Copa, ele adquire novos produtos.”
Televisores
Os televisores de tela plana devem representar 35% das vendas de TVs em 2006. A expectativa do setor é de aumento nas vendas de 12% neste ano, influenciado em parte pelo desempenho do país na Copa.
Tradicionalmente, as vendas de televisores estão concentradas de julho a outubro. Em anos de Copa, elas mudam sua sazonalidade e registram maior volume entre março e junho. Horário europeu ajuda Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam o aquecimento da produção do setor.
Segundo Isabela Nunes, economista da Coordenação da Indústria, a produção de televisores no primeiro trimestre cresceu 61% em relação a 2005. “O produto ficou mais barato. Além disso, o favoritismo da seleção e o horário dos jogos (à tarde), mais favorável do que na Copa anterior (de madrugada), impulsionam a produção.”
Indicadores antecedentes do setor mostram que a produção continuou aquecida em abril. O setor de turismo é diretamente afetado pela Copa. Dados da Planeta Brasil, operadora oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no País, responsável por repassar os pacotes para as agências de viagens, mostram que já foram vendidos 7 mil pacotes. O mais barato custa cerca de R$ 11 mil; o mais caro sai por R$ 28,9 mil. Feriados e eleições
Segundo Marcos Mesquita, superintendente do Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja (Sindicerv), este ano será positivo para o setor devido à Copa, aos feriados e às eleições. Tradicionalmente, junho e julho costumam ser ruins para o setor. Se a seleção confirmar em campo o favoritismo, a expectativa é de crescimento de 20%, ou R$ 600 milhões.
Para acompanhar a caráter o desempenho da seleção, o torcedor aumenta também a compra de produtos de plástico, como buttons, bandeirolas, cornetas e bolas. Segundo Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), o setor deve crescer 4% neste ano, impulsionado por Copa e eleições.
Comércio popular
O comércio popular carioca prevê crescimento de até 30% nas vendas em junho em razão da Copa. Os preços em conta e o favoritismo da seleção devem impulsionar os negócios, segundo o presidente do Saara (centro popular de compras no Rio, como a rua 25 de Março, em São Paulo), Ênio Bittencourt. Diariamente, 60 mil pessoas fazem compras no Saara, um centro popular composto por 1.200 lojas. A expectativa é que esse número suba para 100 mil consumidores até o início de junho.
*Janaina Lage