Mais uma vez a sociedade hipócrita tenta eleger um culpado para o caos social em que nos encontramos. Quem será o bode expiatório da vez? Onde a sociedade irá imputar toda sua parcela de culpa, para tentar se eximir de sua responsabilidade? Essa crise que a sociedade brasileira atravessa é reflexo do próprio modo de pensar do brasileiro, todo brasileiro se acha esperto, muito esperto.
São essas pequenas atitudes dignas de um esperto que aparentam ser insignificantes e, somando, tomam uma proporção muito maior do que sua significância. Quem nunca furou fila ao menos uma vez? Será que essa atitude é correta? Quando um cidadão fura uma fila, ele está suprimindo o direito de outrem, e essas pequenas atitudes que nem são consideradas infrações, vão criando um ar de impunidade, onde somente os espertos sobrevivem nesta sociedade.
Dentro da sociedade existem aqueles que se consideram mais espertos que espertos, esses são os mais perigosos. São espertos aqueles que para tirar uma pequena vantagem financeira se submetem a comprar produtos oriundos de ilícitos penais, enquanto os demais cidadãos batalham para adquirir seus bens de forma lícita. O esperto adquire com muito mais facilidade e rapidez, e para esperto isto a ver, bobo são os outros que não pensam como espertos. São esses espertos que alimentam a violência, com o dinheiro do esperto é que o usuário de drogas sustenta seus vícios, pois eles roubam do batalhador, cidadão de bem para vender ao esperto, muitas vezes até tiram a vida do trabalhador só para vender ao esperto.
Com o dinheiro do esperto o usuário de drogas compra o entorpecente, e com esse dinheiro os traficantes se armam e afrontam a sociedade. A culpa é de quem? Será que a culpa é do usuário que, sem estrutura moral, sem hierarquia familiar, acaba sendo instrumento do tráfico para captação financeira, ou a culpa então é do traficante que começou como usuário sem valores morais, estrutura familiar, acabou perdendo todos os valores éticos, não respeitando mais as regras morais que existem dentro de uma sociedade? Não, a culpa então é do Estado que não protege seus cidadãos, e não retira os frutos ruins do cesto de frutas. A culpa não é do usuário, do traficante, do Estado, nem dos governantes que são intitulados vendedores de ilusões, não será o PMDB, PV, PPS, PSDB, PTB, PP, PL, PSOL, PSTU, PSB, PC do B, muito menos o PT que irá salvar o cesto de frutas.
A culpa é da própria sociedade, que fecha os olhos e finge não ter nada a ver com os problemas dos outros, o culpado de todo esse caos são os espertos que alimentam o mercado negro do tráfico, são os cidadãos comuns que em pequenas atitudes deixam transparecer que pequenos atos não devem ser levados a sério. Os únicos que poderão salvar o cesto de frutas são os próprios cidadãos, mudando sua postura perante atos que parecem ser insignificantes mais a outros atos insignificantes se tornam grandiosos, mudando seus conceitos morais, sociais e alterando esse conceito egoísta “cada um com seus problemas”.
Onde vivem vários espertos ficam todos burros. Assuma sua parcela de culpa e pare de procurar um culpado para justificar seus erros. (Edilson Rodrigo Marciano - RG 34.387.301-1)