UMA LENDA ANTIGA
Reza uma antiga lenda Que as portas dos céus fechadas Deus somente abriria
Às almas privilegiadas
Porém num belo dia As almas pediram clemência Que Deus lhes abrisse as portas Tivesse benevolência
Então o Criador inquirindo Foi chamando uma a uma E as almas iam surgindo E os seus atos expondo
Apresentou-se a primeira Com o peito condecorado Fitas, medalhas pendentes Batalhador, um soldado
Sou um guerreiro famoso Venci batalhas tremendas Vitórias e mais vitórias Sempre tive nas contendas!
Pelo sinal negativo O guerreiro foi vencido O Criador chamou outra: Quem és e o que fizeste?
Eu?! Sou um médico ilustre Pois a morte sempre afastei Do leito do moribundo Dos homens que eu cuidei.
Um sinal da mão de Deus Foi negada a entrada E a outra apressada Quem és e o que fizeste?
Eu sou a musa, um poeta Cantei com toda grandeza A dor, alegria, o amor Cantei toda a natureza
E um sinal negativo Pôs o poeta de lado Quem és e o que fizeste? Foi logo o outro indagando.
Com meu pincel retratei O belo que é o Criador Esparramou sobre a terra Sou um artista, um pintor
As portas dos céus, fechadas Deus continuava chamando Uma alma acabrunhada Veio se aproximando
Quem és e o que fizeste? Dizes logo, tu também Eu, respondeu-lhe triste Tudo fiz, sou mãe.
Ouvindo a palavra santa A mão de Deus se abaixou Pois mãe é o nome bendito Que aos céus a terra ligou.
Se não houvesse Maria, A virgem-mãe do Senhor Nas trevas tudo estaria Não tínhamos o redentor.
Helena Lellis de Andrade
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TODAS AS MÃES
Mãe, o maior amor do mundo Mãe, o amor mais profundo Mãe, o amor sem fim Mãe, da senhora nunca esqueço Mãe, o seu amor não tem preço Mãe, eu penso assim
Mãe que ama Mãe que não reclama Mãe parte da minha vida Mãe que chora Mãe que implora Mãe sempre querida
Mãe amável Mãe adorável Mãe do coração Mãe é alegria Mãe de noite e de dia Mãe pra senhora não digo não
Mãe que malha Mãe que trabalha Mãe brasileira Mãe que canta Mãe que encanta Mãe a vida inteira
Mãe bondosa Mãe amorosa Mãe que vai à luta Mãe que é amada Mãe que é adorada Mãe do menino que nasceu na gruta
Mãe sabe que eu penso Mãe o seu amor é imenso Mãe agradeço de coração Mãe é a que eu sempre quis Mãe a senhora me faz feliz Mãe aquele abração
Jorge Rodrigues Crepaldi
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DE MÃE PARA FILHO
Houve um dia em que nos encaramos fundo nos olhos e nos percebemos da mesma medida
Foi preciso muito humor para encarar com amor tua subida
Haverá um dia em que serei leve em teus braços como foste nos meus
Pensa nisso agora quando pareço às vezes pesar tanto sobre teus etéreos ombros de alpinista
Maria do Carmo Almeida Corrêa
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MÃE
Fonte inesgotável de bondade e alegria, Senhora de todas as virtudes da criação, Heroína que não precisou de medalhas, Eterna guerreira de alma e coração.
Você mãe, que jamais guardou rancor, Que soube suportar a dor, Será sempre poesia que dispensa rima, Mais sublime que qualquer flor.
Mãe, fonte de vida O encanto do amor universal, Não existe nada nesse mundo Que seja mais fraternal!!!
Silmara Bissoli
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ONDAS POÉTICAS
Ondas de tristeza, Ondas de sufoco, Ondas de desamparo, Ondas de angústia, Ondas de tédio, Ondas de depressão, Ondas de obstáculos, Ondas de injustiça, Ondas de fracasso, Ondas de pedras Querem nos tragar E nos engolir. Feito Cila, um monstro e um redemoinho, Doze pés a sustinham E viu-se dotada de seis cabeças, Cada uma com três fileiras de dentes, Os navegantes ouvem seus rugidos, Tremem, sofrem e morrem. Mas não podemos morrer. Sejamos como Ulisses, o herói da Odisséia, A vida deve seguir seu rumo, Pois o nosso destino é triunfar. Vencer, conquistar, superar. Jamais desistir, jamais enfraquecer, Jamais admitir que o jogo está perdido, Para os otimistas não existe a palavra impossível. Vá, lute e ganhe! Imortalize-se. Tenha coragem. Seja forte. Resista. Assim como eu.
José Renato Ferraz da Silveira
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CEGOS POR NATUREZA
Quando eu estava inteiro Você me ignorava Agora que perdi uma perna Sou visto e bajulado
Quando eu tinha dinheiro Você me enxergava Como virei mendigo...
... me arrasto, não sou mais nada
Quando eu era modelo Mulheres eu faturava Depois que queimei meu rosto Você dava risada
Hoje estou desfigurado Conversam comigo por dó Apesar de bajulado Vivo à base desse pó
Quando eu era vivo Você não me cumprimentava Agora que estou enterrado Sou o mito que esnobavam
Guto Guedes