Gastronomia

Sopas


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A lenda da sopa de pedra ilustra bem o poder de agregação que o prato, milenar, tem na sociedade.

Para quem não se lembra vamos dar uma “canja”: um monge partiu em peregrinação. Cansado e faminto, chegou a uma pequena e muito pobre aldeia onde decidiu descansar à beira da estrada.

Acendeu uma fogueira e colocou sobre ela um pote com água tirada de um poço. Quando começou a ferver adicionou uma pedra e ficou tranqüilamente observando o fogo.

Curiosos, moradores do lugar se aproximaram e perguntaram por quê estava cozinhando uma pedra. Respondeu que fazia uma sopa. “Mas só com água e uma pedra? Vai ficar sem gosto”, disse uma velha senhora que, solidária, foi em sua casa buscar sobras de um repolho.

Diante do gesto, outra moradora da aldeia participou com algumas rodelas de cenoura, um homem com uma batata, o aldeão velhinho com um punhadinho de sal...

A eles somaram-se todos os outros habitantes do lugar que colaboraram para o sopão que, no final, alimentaria inclusive suas puras almas.

Todos comeram, riram e contaram histórias, lembrando que há muito não tinham uma refeição tão completa e tão saborosa como esta.

Noite virada, o monge partiu para novas peregrinações. Mas de tempos em tempos os moradores voltavam a se reunir em torno de uma fogueira para fazer uma boa sopa de pedra e relembrar o encontro com o homem que lhes ensinou a compartilhar o prato e a vida.

Espantados com o progresso da pequena aldeia que se tornou próspera, moradores das redondezas perguntavam qual era o segredo, já que mesmo nos períodos mais negros, de escassez, não faltava comida no lugar.

Bouillabaisse marseillaise

Segundo Rodrigo Yoshimura, filho do chef Mário Yoshimura que está seguindo os passos do pai e tocando o projeto ao seu lado, a receita é uma adaptação oriental da famosa “bouillabaisse marseillaise”, típica sopa de Marseille, cidade litorânea no sul da França.

Em comum, a culinária marselhesa e a japonesa têm o farto uso de peixes e frutos do mar e a “boullabaisse” nada mais é do que uma sopa que os pescadores preparavam com peixes pequenos ou “machucados” demais para serem vendidos no mercado.

A versão do Kayomix traz o polvo no lugar do peixe. Em cubos, ele é acompanhado de tomate concassé, macarrão somen, shoyu e pimenta. A novidade é uma boa pedida para aquecer os dias frios e também as madrugadas dos “viajantes” que costumam lotar as mesas da casa até altas horas.

A sopa da Consolação

São Paulo, a Capital da garoa, não tem nenhuma lenda de sopa de concreto. Em compensação, tem muita história para contar.

Incluindo a da Sopa da Consolação que foi recriada pelo restaurante Kayomix, localizado no número 3215 da rua.

A sopa é uma homenagem à rua que se tornou referência em restaurantes japoneses.

O nome “Rua da Consolação” foi dado a este pedacinho de São Paulo porque era a via que ligava a cidade à antiga estrada de Sorocaba. Lá, ponto extremo da Capital, onde hoje ergue-se a Igreja da Consolação – havia uma pequena capela que recebia os viajantes abrigando-os e oferecendo-lhes sopas e caldos, para que seguissem viagem depois.

Daí o nome do prato que celebra a rua.

Sopa da Consolação

200 g de polvo em cubos

30 ml de azeite

70 g de cebola

1 tomate concassé (tomate cortado em pedaços e reduzido ao fogo)

½ dente de alho

100 g de macarrão sonen

Shoyu a gosto

Óleo de gergelim a gosto

Sal a gosto

Pimenta-do-reino a gosto

Em uma panela, colocar o azeite e selar o polvo. Acrescentar a cebola, tomate, alho e deixar suar. Em seguida, adicionar água o suficiente para cobrir o polvo e tampar. Cozinhar em fogo lento até que fique macio e, caso necessário, colocar mais um pouco de água.

Quando o polvo estiver cozido, acrescentar o macarrão, ajustar os temperos (shoyu, sal e pimenta) e finalizar com um fio de óleo de gergelim

Caldo Verde

4 batatas

2 litros de água

2 tabletes de caldo de carne

Azeite de oliva a gosto

1 paio em rodelas

2 dentes de alho cortados

4 folhas de couve picada bem fininha

Cozinhe as batatas na água. Esprema e guarde a água do cozimento. Adicione nela os caldos de carne e as batatas espremidas. Coloque os dentes de alho e azeite a gosto.

Prove o sabor. Adicione as rodelas de paio e a couve picada. Deixe cozinhar até amolecer e adicione mais água se achar necessário.

Sopa de gengibre

*receita Sesi: Alimente-se Bem

3 ½ xícaras (chá) de batata picada

2 xícaras (chá) de cenoura picada

2 xícaras (chá) de tomate picado

2 colheres (sopa) de gengibre picado

4 colheres (sopa) de cebola picada

7 xícaras (chá) de água

2 dentes de alho

3 colheres (sopa) de óleo

1 colher (sopa) de gengibre ralado

3 colheres (sopa) de salsa

Cozinhe os legumes, o gengibre a cebola com a água. Quando estiverem cozidos, bata tudo no liqüidificador e reserve. Em uma panela, doure o alho no óleo e junte a mistura no liqüidificador. Deixe apurar. À parte, leve o gengibre ralado ao forno para secar. Retire do forno, misture com a salsa e coloque sobre a sopa quente.

Sopa de pedra

1 litro de feijão encarnado

1 orelha de porco

1 chouriço negro

1 chouriço de carne

150 g de toucinho

750 g de batatas

2 cebolas

2 dentes de alho

1 folha de louro

Coentro a gosto

Sal e pimenta

Coloque o feijão de molho durante algumas horas. Leve para cozinhar em bastante água juntamente com a orelha, os chouriços, o toucinho, cebolas, alho e louro. Tempere com sal e pimenta. Se for necessário junte mais água.

Quando a carne estiver cozida, retire e introduza na panela as batatas cordadas em quadradinhos e o coentro. Deixe cozinhar.

Retire da panela do fogo, introduza as carnes cozidas cortadas e uma pedra bem lavada (para trazer fartura).

Serviço: Kayomix, Rua da Consolação, 3215, Jardins, tel. (11) 3082-2769

Sopa creme de piranha

6 piranhas (cerca de 1 kg)

Suco de 1 limão

Sal a gosto

4 colheres (sopa) de óleo

3 tabletes de caldo de legumes Maggi

3 cebolas picadas

2 pimentões vermelhos picados

3 tomates sem pele e sem sementes picados

Meio quilo de mandioca ralada

2 colheres (sopa) de coentro picado (opcional)

Corte as piranhas em pedaços grandes e tempere com o limão e o sal. Em uma panela grande aqueça metade do óleo e frite o peixe por alguns minutos. Junte dois litros de água fervente, o caldo e cozinhe por cerca de 30 minutos ou até que esteja macio.

Retire do fogo, coe o caldo e reserve o peixe. Aqueça o restante do óleo e refogue a cebola, o pimentão e os tomates.

Junte o caldo coado e a mandioca e cozinhe até ficar macio. Junte o peixe desfiado à sopa e cozinhe por mais cinco minutos. Retire do fogo, junte o coentro e sirva.

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