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Com licença...

Glorinha Braga Ortolan
| Tempo de leitura: 3 min

Vinho do Porto

Fazer vinho é um negócio relativamente simples. Só os primeiros duzentos anos são difíceis”, costuma dizer a baronesa Phillippine de Rothschild aos visitantes do seu château.

Cada vez mais os consumidores conscientizam-se de que o vinho é cultura: que o simples gesto de se tomar um cálice do precioso líqüido pode tornar-se um grande prazer, não só para o paladar, mas também para o intelecto.

Segundo o especialista em vinho do Porto Carlos Cabral de Mello, “O Porto é a alma portuguesa em forma líqüida”. É produzido exclusivamente na região do Douro, ao Norte de Portugal, nas encostas do Rio Douro, onde o solo é predominantemente xistoso e granítico. Como existe uma fina camada de terra argilosa, as vinhas são plantadas partindo-se as pedras até a profundidade de um metro, onde as fissuras no xisto permitem que as raízes cheguem até a 21 metros em busca de água. Há muito sol, chove pouco ao longo do ano e há seca na época da colheita.

Essas condições climáticas ideais produzem uvas sadias, colhidas entre o final de setembro e o início de outubro, completamente maduras e com alto teor de açúcar.

Além de haver sido a primeira região demarcada produtora de vinhos do mundo (1756), Douro foi também o primeiro centro comercial do produto e o primeiro vinho a ser vendido em garrafas (1708).

Em 1678, um comerciante inglês enviou dois filhos para Portugal para aprenderem sobre vinicultura. Instalaram-se na região do Douro e, afinal, provaram um vinho totalmente desconhecido para eles – o Porto. Assim, o vinho passou para a história como “uma criação dos portugueses e uma descoberta dos ingleses”.

Diante do encanto pelo produto, eles compraram uma grande quantidade do vinho e levaram-no para a Inglaterra. Porém, para suportar a viagem de volta, adicionaram aguardente vínica ao vinho comprado, prática usada nas viagens marítimas.

A aguardente vínic adicionada ao vinho do Porto é um destilado produzido com a casa, as sementes e o engaço (bagaço) das uvas. Na Itália é chamada de grappa, na França e na Suíça é o marc, no Peru é o pisco e em Portugal é a bagaceira.

Com o tempo, vinho do Porto tornou-se sinônimo de tradição, prestígio, prazer e elegância.

A bebida pode ser apreciada das seguintes formas:

- Como aperitivo: com nozes, amêndoas tostadas, pistache, patês à base de carnes;

- Com sobremesas: com doces, frutas e chocolate;

- Após as refeições: com queijos stilton (inglês), Estrela da Serra (típico da região do Douro), roquefort, gorgonzola;

- E pode também ser adicionado à gemada.

É muito chic e denota requinte oferecer um cálice de vinho do Porto quando recebemos uma visita em casa ou no escritório, principalmente no inverno.

Pergunta: Como proceder ao receber uma visita inesperada para o almoço? (Mendonça – Bauru, SP)

Resposta: Geralmente, visitas inesperadas são pessoas íntimas, logo, não precisa se desesperar.

Sirva o mesmo cardápio que os da casa iam comer.

Capriche na composição da mesa.

Além de água, sirva também um refrigerante ou um suco.

A sobremesa pode ser um doce simples ou uma fruta.

Se nada disso for possível, sirva um cafezinho fresco.

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