Uma rosa sobre o piano
Passando pela sala, olhei de repente para o piano, e lá estava um botão de rosa amarela, esquecido sobre as teclas frias, como fria foi a noite sem você. Lembrei o anoitecer anterior, quando vieste em minha morada, e eu te recebi dando-te aquele botão de rosa amarela, que simbolizava toda esperança, todo sonho, toda magia de um amor que se imaginava acontecer. Porém não pensei por um instante que aquela flor era inatingível, que era uma visão celestial, de um lindo anjo de olhos azuis, que tinha entrado por engano na moradia do poeta, que tanto sofre.
A noite mal começou, nem tínhamos ainda iniciado uma linda história, quando o telefone do destino tocou, você atendeu, pediu desculpa e se retirou, não dando sequer tempo ao poeta de te dizer o quanto ele estava te amando, o quanto ele estivera sonhando com aquele instante mágico, que nunca chegou a acontecer.
Não sei se voltarás um dia, não sei se poderei dizer do imenso amor que existe dentro de mim, e está guardado para esta figura ilusória de um anjo de olhos azuis, que ficará sempre marcado em minha existência, me acompanhando por onde eu for.
Anjo que procuro no céu, procuro na terra, procuro no mar, procuro no universo, e não sei aonde te encontrar, não sei aonde está, nem como chegar até você. Seguro ternamente o botão de rosa, aonde tua boca mimosa deixou um doce beijo de amor, e beijo-o com toda ternura também... como se as pétalas fossem os doces lábios do meu anjo.
Abro o meu coração, aonde meu sangue transita com intenso calor, e dentro dele deposito a linda rosa amarela, para que a minha vida a mantenha viva, alimentando-a, acariciando-a e jamais deixando que saia dali o sabor do beijo que nela ficou, e que se espalhara por toda minh’alma, evitando que enlouqueça de amor este poeta sofredor que tanto te ama, meu anjo de olhos azuis. Nunca me esqueça... porque eu nunca te esquecerei.
Ary Bueno