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Paciência e amor vencem obstáculos

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 3 min

Casados há 14. Bem casados. Inúmeras tentativas de ter um filho. O desejo de vivenciar a maternidade e a paternidade parecia que jamais se concretizaria. Uma idéia começou, então, a alimentar a esperança de que seria, sim, possível constituir uma família com dois filhos, como sempre sonharam. A adoção era a alternativa para Paula Rafaeli Bueno e Wagner Bueno. Não seria a infertilidade que lhes privaria da experiência de serem pais.

A princípio, o casal queria uma criança pequena. Não precisava ser um recém-nascido, mas também não podia ser uma criança com mais de 5 anos. O casal temia o que muitos casais temem: a dificuldade de adaptação. Um dos mitos da adoção tardia, citado pelo psicólogo Mário Lázaro Camargo.

“A criança maior conhece pai, mãe, irmãos biológicos. A gente achava que seria mais difícil aceitar uma nova família”, conta Paula. Porém, o medo, no caso do casal, não era tão determinante. Quando os psicólogos da Vara da Infância e Juventude apresentaram para Paula e Wagner a possibilidade de conhecer crianças maiores, eles aceitaram o desafio, como diz Paula.

Há três anos conheceram Guilherme. Na época o garoto tinha 7 anos. “Nos simpatizamos com ele. Tinha outra criança um pouco menor de quem também gostamos”, conta Paula. “Mas quando me perguntam porque não adotei a criança menor, já que tinha gostado dela também, não sei explicar. Para mim é coisa de Deus, do destino, o Guilherme era para ser meu filho. Não tinha como escapar.”

Foram dois meses de aproximação. “Nós o visitávamos na instituição, depois começamos a levá-lo para casa nos finais de semana. Até que ele foi passar as férias de julho em casa e não saiu mais de lá”. Paula conta que não foi tudo um mar de rosas, “mas relação entre pais e filhos nunca é”.

Segundo Paula, no início Guilherme tinha dificuldade em aceitar limites. “Eu queria dar tudo para ele, um lar, pais, individualidade. Na instituição, até as roupas eram de todos. Mas também tinha de dizer não, colocar regras e limites e ele se rebelava”, conta. Foi buscando entender o que se passava com Guilherme, a sua história de vida, que os pais foram vencendo as dificuldades.

“O Guilherme sentia falta dos irmãos e se sentia culpado pela mãe ter abandonado todos eles”, conta Paula. “Ele achava que a mãe tinha ido embora porque ele era ruim. Na época o Guilherme tinha 4 anos, o irmão tinha 2 e a irmã tinha 6 meses”. Foram momentos que exigiram do casal muita paciência, amor e compreensão. Atualmente, Paula e Wagner colhem os frutos. Realizaram o sonho de serem pais, vivem todas as delícias e dificuldades da maternidade e da paternidade.

“Construímos uma relação de muito afeto com o Guilherme. Aprendemos a ser mãe e pai com ele. Ele nos ensinou muito”, conta. Paula afirma que a adoção de uma criança maior pode ser muito prazerosa. “Os pais não podem desistir no meio do caminho, diante das dificuldades. Têm de estar conscientes que a criança não é um objeto que pode ser devolvido. Se persistirem terão uma grande recompensa, uma relação muito bonita”, afirma.

Paula se considera vitoriosa e o casal já está aguardando o segundo filho para adoção. “Desta vez optamos por um recém-nascido, porque é mais demorado e teríamos mais tempo para a adaptação do Guilherme”, relata.

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