São Paulo - Médicos do Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo vão passar o começo da semana analisando laudos parciais feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) sobre as mortes de suspeitos em confrontos com a polícia desde o dia 12, quando tiveram início os ataques do PCC. Eles querem saber, até quarta-feira, se inocentes foram executados pela polícia.
Ontem, após acompanhar o trabalho do IML na identificação dos corpos dos suspeitos, o diretor de fiscalização do conselho, João Ladislau Rosa, descartou a possibilidade de que o instituto estivesse enterrando vítimas como indigentes.
“Tínhamos duas preocupações: saber se o Estado tentou enterrar alguém sem identificação e se a polícia matou inocentes. Por enquanto, já sabemos que a primeira hipótese não ocorreu”, diz Rosa. “O IML fez necropsias completas e seguiu todo o procedimento padrão. As medidas de identificação, como recolhimento de DNA, também foram tomadas corretamente.”
Agora os médicos do conselho irão analisar laudos parciais para distinguir quem foi morto pela polícia ou quem morreu em conflitos considerados rotineiros, como brigas entre criminosos. “Das 273 necropsias feitas desde o dia 12 (no IML central), 95 apontam vítimas de armas de fogo. Amanhã e depois, vamos fazer o cruzamento da origem dos corpos e identificar o tipo de agressão para saber o que aconteceu.” Rosa também diz que a situação no IML ainda não voltou ao normal. “Há corpos fora de câmaras frigoríficas, mas a situação é justificável, porque foi uma semana fora do normal.”
O acompanhamento dos trabalhos foi autorizado pelo IML, após um pedido da comissão composta pelo Ministério Público Federal, pela Defensoria Pública do Estado e por entidades de direitos humanos.
Apesar de não atingir o mesmo grau de violência do fim de semana retrasado, quando os ataques do PCC levaram pânico à população de São Paulo, as ocorrências do último final de semana mantiveram a tensão em várias regiões do Estado de São Paulo. Quatro mortes causadas pelas polícias Militar e Civil, fugas de presos, uma rebelião, tiros disparados contra o helicóptero de uma emissora de televisão e até um coquetel molotov atirado em um bar de um bairro nobre de São Paulo marcaram o sábado e o domingo.
*Daniela Tófoli