Brasília - Os advogados Maria Cristina de Souza e Sérgio Wesley da Cunha, acusados pela CPI do Tráfico de Armas de comprar a gravação de uma sessão secreta da comissão, serão processados pelas seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio e de Brasília. Segundo o presidente da Ordem, Roberto Busato, o caso ficará sob os cuidados da OAB de Brasília pois foi onde a suposta irregularidade ocorreu.
No entanto, como os integrantes da CPI pediram a suspensão imediata dos advogados do exercício da profissão, o assunto deve ser tratado pela seccional onde eles mantêm a inscrição, ou seja, Rio de Janeiro. “Essa decisão visa cumprir o estatuto da advocacia”, disse.
Maria Cristina e Sérgio Wesley, de acordo com integrantes da CPI, são ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), e pagaram R$ 200 para obter a gravação da audiência reservada com os delgados Polícia Civil de São Paulo Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).
O ex-funcionário da Câmara, responsável por gravar a audiência, Arthur Vinicius Silva, confirmou na semana passada ter entregue o material aos advogados em um shopping de Brasília. Nessa audiência, os delegados informaram, conforme relato de membros da comissão parlamentar, que isolariam um grupo de presos, considerados de alta periculosidade, e que tinham conhecimento dos planos de uma megarrebelião no último dia 14, Dia das Mães.
De posse dos CDs, os advogados teriam repassado o depoimento para os principais líderes da facção criminosa.Os dois advogados devem ser ouvidos hoje pela CPI do Tráfico de Armas, em Brasília.
Marcola na Câmara
O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), informou ontem que proibiu o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, de prestar depoimento nas dependência da Casa. A determinação já foi repassada ao presidente da CPI do Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), autor do requerimento.