Regional

CDP é visto como solução em Botucatu

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A solução dos problemas carcerários vividos atualmente em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) passa pela construção de um Centro de Detenção Provisória (CDP). A afirmação é do delegado Sérgio Castanheira, mas encontra eco nas declarações de outras autoridades. Em entrevista a uma emissora de rádio local, o delegado seccional Tadeu de Campos Castro também reforçou a necessidade de um CDP para desafogar a cadeia da cidade.

“Seria a solução de todos os nossos problemas, mas isso tem um custo político que nem todos estão dispostos a pagar”, disse Castanheira, em referência às eventuais críticas que a prefeitura deve receber caso decida pela construção do presídio.

O CDP em Botucatu não significaria a desativação da cadeia. Segundo o delegado, o local poderia passar a receber presas e, assim, desafogar a cadeia de Itatinga. Além disso, os presos de São Manuel também seriam transferidos para o CDP e abriria espaço para colocar na cadeia da cidade os menores infratores daquela região.

Mas enquanto o assunto CDP aguarda definição, as autoridades policiais de Botucatu precisam se desdobrar para resolver a situação na cadeia da cidade. Após a rebelião de anteontem, as celas ficaram destruídas, o que inviabiliza a presença dos presos no prédio.

No entanto, para iniciar a reforma seria preciso transferir todos os 210 presos. E isso não está sendo fácil em razão das rebeliões generalizadas que ocorreram na região na semana passada. Em 2004, a cadeia de Botucatu também foi bastante danificada pelos presos e teve de ser interditada. Mas naquela época, a situação nos presídios estava mais tranqüila. Em um só dia, todos os 185 presos que estavam no local foram transferidos para outras unidades prisionais.

Agora, a direção da cadeia está tendo dificuldade para transferir apenas uma pequena parte dos presos de Botucatu. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, deve ocorrer nos próximos dias a transferência de 40 detentos. Em seguida, começaria a reforma da cadeia.

Entretanto, o delegado Sérgio Castanheira acha muito difícil a realização de qualquer reparo no prédio com os presos ali dentro. Segundo ele, é pouco provável que pedreiros aceitem executar a obra com detentos no local. Como todas as grades foram removidas, os detentos ficam o tempo todo no pátio.

Ontem, apesar dessa “liberdade”, a situação era tranqüila em Botucatu. A polícia reforçou a segurança dentro e fora da cadeia. A ordem era de atenção máxima para evitar que novas fugas fossem registradas. No início da rebelião de anteontem, três presos conseguiram fugir. Até ontem à noite, nenhum havia sido recapturado.

Fugiram Gildo Rodrigues da Cruz, Emerson Aparecido dos Santos Paulino e Sandro José Plens. No início, a polícia teve dificuldades para identificar os fugitivos porque todo o fichário da carceragem foi rasgado pelos presos.

Por causa da necessidade de reforçar a segurança da cadeia, todos os policiais civis de Botucatu foram deslocados para esse trabalho. E isso, segundo Castanheira, provocou a interrupção de todo o serviço de investigação. Em razão da falta de segurança, as visitas foram suspensas por tempo indeterminado.

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