Tribuna do Leitor

“Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa”


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Este foi o título da capa da Folha de São Paulo de 18 de maio, atribuída ao governador Cláudio Lembo. Com precisão, o governador que é um liberal, toca no cerne da questão: a divisão social e racial da nação brasileira base de sustenção do regime de exploração de uma classe pela outra.

A elite servil brasileira, proprietária dos meios de produção, do capital e do conhecimento, é branca e racista. O componente racial ganha destaque neste episódio, pois é conteúdo mais vigoroso desta forma de organização da sociedade, que não tem mais nada a oferecer a humanidade, a não ser o aprofundamento da barbárie, e a destruição dos modos de vidas civilizados.O sistema capitalista está em acelerada decomposição.

Os grandes meios de comunicação, principalmente a televisão, encontraram o terreno fértil para massificar a síndrome do pânico coletivo. A mesma burguesia que entupiu os programas de TV e os jornais, esbravejando aos quatros cantos que era preciso colocar o exército na rua e aumentar a repressão é a mesma burguesia cínica, como disse o governador Lembo, “que explora a sociedade, seus serviçais, os serviços públicos, querem estar sempre nos palácios dos governos em busca de benesses”, ajudando a manter, ampliar e sustentar a miséria social.

Na TV, o presidente Lula ofereceu o exército e disse que a culpa é a falta de educação. Sua maior opositora de esquerda, Heloisa Helena, também bradou: falta educação. O jurista Raimundo Faoro chegou mais perto ao afirmar que “distribuir dinheiro com bolsa-família, bolsa-escola não adianta nada. Falta estado, escola, postos de saúde, infra-estrutura”. Faltam também os 10 milhões de empregos.

A ordem social vigente que esta aí foi criada e nela estão jovens que antes dos 15 anos morrem de fome, de bala perdida antes dos 30 anos. É a juventude pobre, e seu maior extrato a juventude negra, para as quais neste sistema não existe nenhum futuro.

Aplicam-se cotas nas universidades, mas faltam escolas de ensino infantil, creches, escolas primárias e secundárias de qualidade. Faltam empregos e perspectiva de vida. Elabora-se o Estatuto da Igualdade Racial, e seus defensores alardeiam que será um instrumento de inclusão social. Inclusão onde? Neste sistema que a cada dia exclui numa velocidade brutal milhões de brasileiros da possibilidade de terem um modo de vida decente?

São ações compensatórias, que servem única e exclusivamente para amortecer temporariamente os conflitos que explodem de tempos em tempos, e expõem a face mais horrível deste modelo.

Por mais que alguns acreditem sinceramente que é possível humanizar o capitalismo, que é possível que todos tenham os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, e a mesma qualidade de vida, sinto muito dizer: neste sistema isso será impossível.

A saída para a humanidade se concentra no que afirmou Rosa Luxemburgo no início do século 19: ou o socialismo ou a barbárie.

Roque José Ferreira - RG 9.656.096

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