Avenidas Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Castelo Branco, além das ruas Bernardino de Campos, no Jardim Jussara e Vila Souto, e Silva Jardim, no Jardim Bela Vista, foram completamente recapeadas em 2002. Poucos anos e muitos buracos depois, as vias se tornaram verdadeiras “colchas de retalhos”, com asfalto constantemente sendo remendado por conta da ação do tráfego intenso de veículos, acúmulo de água ou para reparos na tubulação do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Em maio de 2002, o motorista que passava pela rua Bernardino de Campos podia ficar satisfeito com o asfalto. Poucos anos depois, os moradores já estão cansados de se queixarem à prefeitura, pedindo reparos na via. A maioria dos buracos nesta, e também nas outras vias da cidade, são feitos para reparos na tubulação de água ou esgoto e logo depois são tapados pelo DAE. Porém, o serviço nem sempre agrada os moradores. Eles se queixam que após o conserto, o asfalto não fica igual e cede com maior facilidade.
Para o aposentado Sílvio Simões, 69 anos, o recapeamento é feito com uma massa asfáltica muito fina, que não agüenta o tráfego de veículos, se desmanchando facilmente. “Sabe qual é o melhor asfalto de Bauru? O da rua 1º de Agosto. Ele é bem espesso. Você não vê buracos naquela rua”, aponta. O solo arenoso presente na maior parte da cidade, também não ajuda na conservação do asfalto, segundo a população.
De acordo com o DAE, nos bairros mais antigos de Bauru, a maioria da tubulação que leva água para as residências é de ferro e possui mais de 40 anos. O material vai sofrendo desgaste do tempo, como corrosão e acúmulo de partículas e acaba rachando. O problema só é verificado quando a água aflora na rua.
Quando o departamento é acionado, entra em ação a máquina que recorta o asfalto para que os funcionários possam trocar a tubulação antiga por uma nova, em PVC. Assim que o serviço é terminado, uma equipe do departamento repara o buraco feito na rua, remendando o asfalto. O DAE não sabe informar qual o percentual da rede que ainda possui tubulação de ferro. A possibilidade de realizar a substituição de toda a rede é descartada pela autarquia, devido ao alto investimento necessário.
Vida útil
Elaine de Cássia Orti de Araújo, secretária de Obras, aponta que o principal problema do asfalto de Bauru é a sua idade. Das mais de 10.700 quadras pavimentadas da cidade, 6.771 possuem mais de 15 anos, o tempo máximo de vida útil do asfalto. Outras 1.571 estão com mais de 13 anos, 1.509 já passaram dos nove anos e 133 estão com mais de cinco.
Apenas 866 quadras possuem de um a três anos. E nessas, estão incluídas as recapeadas, como as ruas Bernardino de Campos e Silva Jardim. “É considerado como um novo asfalto. O recape tem uma vida útil de 10 a 15 anos”, explica.
Sobre os desníveis nos remendos no asfalto que o DAE é obrigado a fazer por conta dos problemas com tubulação, Araújo acredita que uma das causas possa ser a umidade do terreno. Como a área que vai receber o asfalto provavelmente não está seca, a massa asfáltica colocada se acomoda, causando a diferença. Sobre a qualidade do material, ela assegura que a prefeitura segue normas bem rígidas de qualidade. “O pavimento é igual em toda a cidade. Nas avenidas, ele possui uma capa de quatro centímetros. Nas ruas, normalmente é de três. O que muda é a intensidade de tráfego. O solo-cimento também pode ser maior ou menor”, diz.
O asfalto da cidade e seus buracos é um dos desafios da pasta. Para lidar com o problema, a Secretaria de Obras está para colocar em funcionamento máquinas para reparar a pavimentação danificada. “As máquinas já foram compradas. Vamos treinar o pessoal para usá-las e logo estarão nas ruas”, conta. Outro ponto importante para a secretaria é o fundo para o asfalto, que permitirá pavimentar ruas de terra. Segundo Araújo, ele está na fase de regulamentação.