Polícia

Sindicato consultará funcionários dos presídios da região sobre greve

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Entre hoje e amanhã, o Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindicop), cuja sede é em Bauru, vai realizar assembléias em frente às unidades prisionais de sua área de atuação para consultar a categoria sobre a possibilidade de greve. Ontem, o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), com sede em Presidente Prudente, e o Sindicato Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), com sede em São Paulo, anunciaram greve.

A categoria reivindica melhorias das condições de trabalho, contratação de mais funcionários, reajuste salarial e adicional - a maioria recebe salário de R$ 1.200 por mês. Em Bauru e região, a participação ou não do movimento dependerá das decisões das assembléias, que vão começar hoje pelas penitenciárias 1 e 2 de Bauru, Instituto Penal Agrícola e Centro de Detenção Provisória (CDP), segundo Reinaldo Duarte Soriano, vice-presidente do Sindicop.

Apesar de fazer coro com os outros dois sindicatos ao reivindicar mais funcionários e segurança aos trabalhadores em presídios, redução da população carcerária e reconstrução das unidades destruídas, Soriano avalia que o clima em Bauru e região não é de greve. Ele ressalta que a categoria teme represálias, como a transferência de funcionários que aderiram ao movimento na última paralisação e desconto dos dias parados.

Além disso, Soriano entende que a paralisação fragilizaria ainda mais a segurança dos presídios. Porém, critica o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, que na semana passada encaminhou correspondência aos funcionários do sistema prisional pedindo união para enfrentar a onda de rebeliões atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). “Ele (Furukawa) nunca chamou a categoria para discutir transferências e caiu no descrédito”, alfineta.

O Sindicop tem 1.720 filiados em Bauru e região. Dois agentes penitenciários consultados pelo JC concordam com Soriano, que dificilmente a categoria decidirá pela greve. “Temos medo de represália. Além dos que foram transferidos, tem funcionário que teve os dias parados na última greve descontados e até hoje responde sindicância”, disse um deles. O outro pondera que, se votar pela greve, será em solidariedade aos colegas das unidades que sofrerem rebelião. “Vamos aguardar o posicionamento dos funcionários do CDP de Bauru e penitenciária de Pirajuí, onde houve rebelião. Se eles decidirem pela greve, podemos concordar por solidariedade”, completa.

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Reunião no Fórum

Em resposta aos ataques a bases da Polícia Militar, delegacias da Polícia Civil, unidades da Justiça Estadual e incêndio a ônibus e à onda de rebeliões atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), será realizada uma reunião hoje em Bauru visando organizar um movimento de protesto. A organização é da Associação dos Funcionários do Poder Judiciário, que convida todos os setores da sociedade para a reunião hoje, às 9h, na sala do Júri, no Fórum de Bauru.

Benedito José de Almeida Falcão, vice-presidente da associação, explica que o objetivo da reunião é organizar uma passeata ou outro tipo de protesto para cobrar medidas de segurança do governo. “O Estado presenteou Bauru com quatro unidades prisionais. E qual a contrapartida do Estado?”, questiona.

Ele indaga também o porquê a polícia não ter sido avisada antes se o governo do Estado sabia com antecedência que o PCC estava programando ataques e rebeliões. Mas Falcão também cobra outras esferas da administração. “Queremos uma legislação mais rígida para saída dos presos e, na esfera municipal, mais iluminação para a segurança do cidadão”, diz.

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