O Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo, confirmou ontem mais quatro casos de leishmaniose visceral americana em humanos no município de Bauru. Dois dos pacientes vivem no Jardim Bela Vista. O problema, no entanto, não está restrito a uma região específica. Ao todo, moradores de 20 bairros diferentes contraíram a doença.
Das últimas notificações, duas são crianças. Uma tem 3 anos e mora no Parque Viaduto. A outra tem 2 anos e é do Jd. Bela Vista. Assim como a mais nova, outra moradora do bairro também foi infectada, mas aos 36 anos. A quarta vítima é um rapaz de 18 anos que vive no Núcleo Habitacional Presidente Geisel. Todos eles já estão sob cuidados médicos no Hospital Estadual de Bauru.
Com os últimos casos, sobe para 23 o total de notificações registradas neste ano. Em 2005 inteiro, 32 pessoas contraíram leishmaniose, sendo que quatro morreram, informa a assessoria de imprensa da administração municipal. O problema é ainda maior quando o foco volta-se para os cães. De acordo com o novo diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Marco Antonio Natal Vigilato, cerca de 800 já contraíram leishmaniose neste ano.
Quase todos eles foram submetidos à eutanásia. O procedimento também foi utilizado para encerrar o sofrimento do animal de uma entrevistada, que preferiu ter o nome preservado. “Fiquei chocada quando fiquei sabendo (do diagnóstico). O cachorro de uma amiga minha também (foi sacrificado). Quando a gente vê que o negócio está na cidade toda, resta a pergunta: onde está o erro?”, questiona.
Ranking
A crítica tem por base a quantidade de casos da doença em Bauru, município que, no ano passado, ultrapassou Araçatuba e atualmente ainda ocupa o primeiro lugar no ranking de leishmaniose do Estado. Para derrubá-la do pódio, o Departamento de Saúde Coletiva continua adotando as ações preconizadas pelo Ministério da Saúde, como o manejo ambiental.
A coleta de mostras de sangue de animais também está entre elas, assim como a busca ativa na população residente próximo à moradia das pessoas infectadas. “É para orientar a população do que está ocorrendo. E se por acaso tiver alguém com sintomas, orientamos que procure a rede de assistência à saúde. Fazer ações isoladas não surte efeito. Elas devem ser realizadas ao mesmo tempo”, ressalta Vigilato.
De acordo com ele, estão sujeitas à leishmaniose especialmente quem sofre de debilidade no sistema imunológico. Pessoas em tratamento “pesado”, vítimas de outras moléstias, além de crianças e idosos, estão entre as principais vítimas.