Internacional

Charge leva Irã a fechar jornal e prender editor-chefe e cartunista

Folhapress
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Teerã - O governo iraniano fechou ontem o jornal oficial “Irã”, um dos três maiores do país, além de prender seu editor-chefe, Mehrdad Qasemfar, e um cartunista, Mana Neyestani. O fechamento e as prisões foram atribuídos a uma charge que teria sido o motivo de protestos de centenas de membros da etnia azeri, anteontem, na cidade de Tabriz.

A medida, primeira do tipo tomada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, demonstra preocupação do governo com sinais de ruptura interna, em meio ao impasse com os Estados Unidos.

Membros do governo, incluindo o ministro da Cultura, se desculparam publicamente pela charge e enfatizaram a importância da união nacional diante da tensão com Washington, que acusa o Irã de desenvolver armas nucleares.

A charge mostrava uma barata falando a língua azeri e sugeria que os azeris tinham pouca inteligência. No desenho, pessoas tentavam ensinar a barata a falar “barata”, em persa, e ela respondia, em azeri, “o quê?”. Não houve, no entanto, explicação para o fato de os protestos terem começado na semana seguinte à publicação da charge.

O país viveu uma onda de fechamentos de jornais nos últimos anos, em meio a disputas entre reformistas e conservadores do presidente reformista Mohammad Khatami (1997-2005).

Na época, o Judiciário, conservador, fechou mais de cem jornais pró-reforma e prendeu dezenas de escritores e editores. Mas o governo de Ahmadinejad, ultraconservador, não tomou medidas contra os dois jornais moderados que ainda restam no país - apesar de fazerem algumas poucas críticas fortes à liderança religiosa, como faziam os reformistas.

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