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À CPI, Delúbio nega doações de bingos

Por Felipe Recondo | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Nas cerca de quatro horas de depoimento do para a CPI dos Bingos, ex-o tesoureiro do PT Delúbio Soares disse desconhecer qualquer doação de casas de bingo para a campanha de 2002 do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também negou ter conhecimento sobre a prática de caixa dois na campanha.

“Não tenho conhecimento nenhum que isso (doação de casas de bingo) ocorreu em 2002. Conheço (Waldomiro Diniz). Mas ele não participou da campanha de 2002”, respondeu ele ao ser questionado sobre uma possível articulação entre Diniz e casas de bingo do Rio interessadas em fazer doações para a campanha de 2002.

Perguntado sobre como conheceu o empresário Marcos Valério de Souza - acusado de ser operador do “mensalão” -, Delúbio disse que foi apresentado a ele pelo deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).

A reportagem apurou que o relatório final da CPI dos Bingos apontará indícios que comprovariam essa doação. Em troca, os bingueiros seriam beneficiados com o envio ao Congresso Nacional de um projeto do governo que iria regulamentar o funcionamento do setor.

Durante as investigações, a CPI teria identificado, conforme o esboço do relatório final, diversas coincidências que apontariam para a veracidade da acusação feita pelo advogado Rogério Tadeu Buratti de que o dinheiro dos bingueiros chegou à campanha do presidente com a participação do ex-ministro Antônio Palocci.

Dentre essas coincidências estariam, por exemplo, telefonemas trocados pelos envolvidos nas datas chave da negociação. Delúbio não assinou o termo de compromisso com a verdade nas respostas dadas para a CPI. Ele disse que foi orientado por seus advogados a não assinar o documento.

Oposição

Parlamentares da oposição se irritaram com a atitude de Delúbio. “O depoimento não tem nenhum compromisso com a verdade. É mais um festival de insinceridades”, disse o senador José Agripino Maia (PFL-RN).

Para o relator da CPI, Garibaldi Alves (PMDB-RN), depoimentos como esse não acrescentam nada aos trabalhos da comissão. “Ele foi muito lacônico ontem. Está na hora de acabar com essa CPI.”

Delúbio evitou responder se recebeu autorização da diretoria do PT para fazer empréstimos no BMG e Rural por intermédio do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. “Era impossível ele tomar um empréstimo como esse sem autorização de pelo menos quatro pessoas: (o ex-presidente do PT José) Genoíno, (o ex-presidente do PT José) Dirceu, Lula e Silvinho (ex-secretário-geral do partido)”, disse a senadora Heloísa Helena (Psol-AL).

Na opinião da senadora, Delúbio já fez a escolha de assumir a responsabilidade pelas operações e não deve modificar sua versão não importa a quantidade de depoimentos.

O ex-tesoureiro do PT negou ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Ele também negou qualquer tentativa de chantagem contra o banqueiro. “Nunca houve esse pedido. Não conheço essa Verônica (Dantas, irmão de Daniel Dantas)”, que teria denunciado à Corte de Nova York uma suposta tentativa do PT de cobrar “dezenas de milhões de dólares” do Opportunity nos anos de 2002 e 2003.

Delúbio confirmou, entretanto, que se reuniu com Carlos Rodenburg, ex-sócio do Opportunity. Segundo ele, o encontro foi marcado a pedido do empresário Marcos Valério de Souza. Rodenburg, segundo Delúbio, queria saber o motivo do PT não gostar do Opportunity. Delúbio disse que o “PT não gostava nem deixava de gostar do Opportunity”.

Delúbio confirmou que Paulo Okamotto, presidente do Sebrae, pagou dívidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que Okamotto cuidou da demissão de Lula quando ele foi eleito Presidente da República e deixou de ser funcionário do PT. Neste momento, segundo Delúbio, Okamotto também teria saldado as dívidas do presidente.

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Convocações rejeitadas

Brasília - A ala governista da CPI dos Bingos conseguiu rejeitar o requerimento que pedia a convocação do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. O nome de Dantas voltou à tona após a divulgação de uma correspondência enviada à Corte de Nova York em que sua irmã acusava o PT de tentar chantagear o banqueiro.

A mesma ala também derrubou os requerimentos que pediam a convocação do empresário Marcos Valério de Souza, do ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso e do secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg.

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