Os professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru decidiram não dar respaldo à paralisação dos funcionários, que hoje cruzam os braços para reivindicar, principalmente, novas contratações e reajuste salarial.
Na assembléia realizada ontem, apenas 20 dos mais de 350 professores que lecionam no câmpus de Bauru compareceram. Dezesseis optaram pela não-adesão ao protesto e quatro preferiram não votar. De acordo com Norival Agnelli, presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), o professorado quer aguardar o resultado da reunião de hoje, na Capital, entre o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) e o Fórum das Seis (entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, USP e Unicamp), para decidir se interrompe ou não as aulas.
“Marcamos nova assembléia para terça-feira da semana que vem, a fim de analisar a decisão do encontro de hoje, em São Paulo. Portanto, haverá uma tomada de decisão somente após essa rodada de negociação. Não descartamos possibilidade de greve”, diz Agnelli. Para ele, a adesão de docentes à assembléia de ontem foi baixa, porém considera que o envolvimento dos professores, assim como nas paralisações anteriores, será gradativo.
Reinaldo Cervatti Dutra, membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), afirma que hoje apenas 70 dos 450 funcionários da instituição devem continuar trabalhando para manter os serviços essenciais, como limpeza e segurança, por exemplo.
“Estaremos em São Paulo com uma caravana de funcionários do câmpus (da Unesp de Bauru) para participar de um ato público que vai haver em frente ao prédio onde ocorrerá a rodada de negociação”, comenta Dutra, que programa nova assembléia com os funcionários na próxima terça-feira para discutir os resultados da reunião entre o Cruesp e o Fórum das Seis. Ele não descarta um movimento grevista a partir da semana que vem.
Sobre a não-adesão do professorado à paralisação de hoje, Dutra ressalta que esperava a participação dos docentes, porém entende a decisão da categoria.
“Os professores são essenciais à paralisação. Quando eles decidem continuar dando aula, ficamos impossibilitados de tomar algumas medidas mais pontuais, como fechar os portões da universidade, por exemplo. Mesmo assim, respeitamos a posição deles”, conclui Dutra.