Política

Ação regional exige ‘rasgar’ a carteira partidária, diz Amary

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

O discurso da regionalização do desenvolvimento não é novo. Vários políticos, de diferentes partidos, já adotaram o tema como bandeira de campanha eleitoral. Para o ex-prefeito de Sorocaba e ex-presidente da Fundação Prefeito Faria Lima – Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam) - Renato Amary, é preciso separar o discurso da ação.

Pré-candidato a deputado federal pelo PSDB, Amary entrou para a política em 1994, quando foi eleito deputado estadual. Segundo ele, o ingresso na política se deu para que pudesse fazer algo por sua cidade - Sorocaba - de onde foi prefeito de 1997 a 2004. Em 2005, Renato Amary assumiu a presidência do Cepam, a convite do governador Geraldo Alckmin, onde permaneceu até março deste ano.

Em visita ontem ao Jornal da Cidade, ele destacou que um dos principais entraves ao desenvolvimento regional vocacionado - defendido por Amary como a solução para os problemas existentes no Estado -, é a falta de união entre os governantes, causada pela defesa de posições político-partidárias individuais. “Eu defendo que em alguns momentos nós devemos rasgar as carteiras partidárias”, afirmou.

O obstáculo, diz o ex-prefeito, dificulta a regionalização, ação que em sua visão deveria ser o carro-chefe para resolver os gargalos do Estado. “Eu viajei praticamente o Estado todo e dá para sentir que São Paulo é um Estado forte, mas que ao mesmo tempo tem suas carências. Essas carências podem ser resolvidas através de um desenvolvimento regional vocacionado”, disse.

Uma das formas apontadas pelo ex-presidente do Cepam para que as regiões administrativas do Estado se desenvolvam, utilizando suas vocações, é a parceria entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada.

“Tivemos essa experiência em Sorocaba, através de um trabalho tripartite, que envolvia não só o prefeito, mas também a Câmara de Vereadores e a sociedade organizada, elaboramos ações desenvolvimentistas, que colaborou inclusive com o aumento da receita do município, sem que fosse preciso aumentar os impostos”, ressaltou.

Para Amary, falta aos políticos a compreensão de que é a sociedade organizada quem realmente tem poder para fazer as mudanças necessárias ao desenvolvimento. “O político manda muito menos do que a força da sociedade organizada. Se ela se unir e buscar o que quer, ela consegue”, salientou.

Violência e reforma

Renato Amary também falou sobre a onda de violência que tomou conta do Estado na última semana. Para ele, o problema não se resume a São Paulo, mas atinge todo o País, e tem como estopim a impunidade. “O grande problema deste país, além da falta de educação e cultura, é o descumprimento da lei, é a falta de punibilidade”, afirmou.

Diante desse quadro, Amary defende uma reforma ampla do Poder Judiciário e da legislação vigente. “Hoje nós não temos, por exemplo, penalidade para combater os hackers. Então nós temos que ter uma legislação evolutiva, nos adaptarmos, através da lei, ao nosso crescimento intelectual, à globalização, às coisas novas que estão acontecendo”, ressaltou.

Além da legislação obsoleta, Amary destaca o problema da falta de punição. De acordo com ele, para fazer cumprir a lei é necessário um conjunto de situações, onde têm papel a imprensa, o político, o Ministério Público e a magistratura. “É preciso dar agilidade à Justiça, estrutura para a magistratura agir, tornar o andamento dos processos mais rápidos, para que não aconteça a prescrição. Porque muitos que cometem os crimes apostam nesses instrumentos jurídicos”, frisou.

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