Lendo jornais e assistindo à nossa rica e diversificada mídia, vejo que vivemos momentos interessantes. As palavras sobem e descem de importância. Algumas se tornam brega (a própria), outras já insuportáveis (a nível de, ...), e algumas formam expressões trocadílhicas (Direitos Humanos x Humanos direitos). Correndo o risco de ser considerado pragmático (qual o significado, mesmo?), vivo o auto-desafio pessoal de não me deixar levar pelo momento, pela circunstância, pela boca de quem falou, e pensar corretamente a respeito de tantos assuntos que são o nosso cenário vivenciai na era da informação.
Vivemos uma situação que seria incrível se já não estivesse se tornando “velha”: quando há uma notícia boa para o nosso Brasil, antes de se expressar com alegria, você tem que ver se não vai parecer apoio ao governo! Ora essa, aonde nós deixamos chegar nossa vida comunitária... Nossa civilidade e nosso patriotismo ficaram “a reboque” do partidarismo político - “pp”! Quando penso que vou me entusiasmar com notícias de que o Brasil é muito considerado no exterior, lá vem o viézinho “pp”: A quem se deve isso? Ao governo? Ora, brasileiro, é ao nosso Brasil! Esse gigante mesmo, que trabalha, que tem muitas riquezas, que tem superado tantas crises políticas, que é agraciado com todo tipo de terra, com todo tipo de gente, que passeia pelos preconceitos com suavidade...
Pequenos solavancos na economia americana, ameaçam agora mostrar que realmente não aproveitamos um bom momento econômico internacional. O fato de termos alguns poucos índices com alguma melhora, tem nos iludido. Acompanhando os empresários um pouco mais de perto, sabemos o que a maioria dos setores produtivos está passando. E, principalmente, a continuada pasmaceira dos discursos governamentais que ignora o quanto os escândalos estão minando, não só a visão empreendedora, mas também o civismo, o amor pela pátria, a esperança... A oferta de alguns benefícios paternalistas e um discurso treinado em antigas fontes internacionais socialistas, fazem agora algumas pesquisas pré-eleitorais elevarem a aceitação do governo atual. Recursos financeiros insistentemente acumulados nos últimos três anos à custa do atraso do desenvolvimento do país, usados numa espúria campanha eleitoral (sim, o governo está ilegalmente em campanha!) nos remetem ao início destas considerações: o nosso dinheiro arrecadado a cada minuto, a cada movimentação financeira, a cada atividade sócio-econômica do cidadão brasileiro, por um sistema tributário que deveria provocar racional declínio com planejamento a longo prazo, com políticas governamentais dignas deste nosso rincão, sendo distribuído ao bel-prazer de um presidente que não nos representa. Parafraseando ilustre político brasileiro - esse, sim, ilustre! -: “Ao ver Delúbio, Silvinho, Dirceu, João Paulo, prof Luizinho e... Lula nos impingirem uma falta de ânimo patriótico, um senso de civismo frustrado, e uma vergonha dos líderes que falam em nome do país, o cidadão repensa seu desejo de honestidade, seu entusiasmo em participar de conselhos municipais, seu prazer no apoio às entidades assistenciais, sua responsabilidade em estimular os mais jovens, desafiar os seus alunos pela cidadania!” Continuo brasileiro, e me nego a emascular cidadania tão preciosa. Vou assistir nossa equipe de futebol nacional; em luta pela supremacia mundial usando jogadores brasileiros em sua maior parte expoentes em todas as partes do mundo, é uma amostra de que o brasileiro vale ouro!
O autor, Antonio Gerson de Araujo, é economista e professor