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Boato leva motociclistas a tirar peça ‘diabólica’

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma lenda urbana, dessas que de quando em quando tomam conta do imaginário da população, invadiu Bauru. Dessa vez, o objeto sinistro seria uma cruz invertida dentro do farol das motos Hondas CG Titans 150. O símbolo representaria um suposto pacto firmado entre o projetista que desenvolveu a motocicleta e o diabo. Alguns motociclistas chegam a tirar a peça.

Na verdade, a peça serve apenas para dar suporte a um feixe de fios elétricos conhecido por chicote. Sem ela, os fios podem se romper com a ação do tempo e dos movimentos da moto, danificando a parte elétrica do veículo. O boato tomou conta da Internet e se espalhou por blogs, comunidades de sites de relacionamento e lotou as caixas postais de revistas e sites relacionados a motocicletas.

É preciso ter um pouco de imaginação para ver o suporte, chamado de clipper, como sendo uma cruz. Principalmente invertida. Mas para quem conseguir ver o tal símbolo associado ao tinhoso, acreditar na história não é tão improvável. Um dos modelos mais comercializados da Honda, a CG Titan sempre foi um sucesso de vendas por ser barata, econômica e potente. Mas para os motociclistas que acreditam na história, esses não são os motivos do êxito da moto. Para eles, há acordo com Lúcifer.

Os boatos tomaram uma proporção tão grande que, segundo Paulo Rogério, do departamento de vendas de uma concessionária da marca em Bauru, a própria Honda mandou um comunicado alertando que os proprietários que retiram o clipper perdem a garantia de fábrica do “chicote”. “Algumas pessoas que trazem as motos para a revisão aproveitam para perguntar sobre a peça. Nós explicamos e pronto. Ninguém que veio aqui pediu para retirar a peça”, observa.

Em outra autorizada da marca, na avenida Duque de Caxias, a resposta é a mesma. Segundo um dos mecânicos da empresa, que solicitou a não divulgação de seu nome, muita gente perguntou o que é, mas ninguém quis se livrar da peça. Já nas empresas de mototaxi, a desconfiança é maior.

Proprietário de uma Honda CG 125, um funcionário de uma central de mototaxistas, que pediu para não revelar seu nome, disse não acreditar na história, mas conta que a maioria dos motociclistas da empresa, retirou a peça.

Um colega, que também prefere ter o nome preservado, foi um dos últimos retirar o dispositivo. “Eu não acredito, mas achei melhor arrancar. Eu mesmo abri o farol e tirei a peça. Todo mundo tirou e eu tirei também”, conta. Funcionário de um mototáxi no jardim Petrópolis, José Aparecido Berto foi um dos que mantiveram a peça. “Ouvi o pessoal comentando. A minha eu não tirei, mas dois motoqueiros daqui tiraram”, conta.

“Todo mundo está sabendo, mas só um daqui tirou”, conta Marciel Ribeiro Gomes, mototaxista que trabalha numa empresa do Jardim Contorno. “Eu não acredito, mas desconfio. Fico com um pé atrás”. Além da cruz, Gomes já está desconfiado de outro símbolo: uma marca de pneus. “Está escrito ‘democity’. O pessoal já está falando que é o demônio da cidade”, diverte-se.

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