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Furlan: governo pode alterar câmbio

Por Karen Camacho | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem que o governo mantém a proposta de fazer alterações na legislação cambial para minimizar os efeitos da valorização do real frente ao dólar nas empresas exportadoras, apesar da turbulência do mercado desta semana, que provocou altas no dólar.

Furlan disse que o grupo que estuda as medidas, formado por representantes do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda, deve anunciar nas próximas semanas as alterações que darão “maior flexibilidade aos exportadores e ao mesmo tempo linhas de créditos, decisões do âmbito do Executivo”.

Para Furlan, a turbulência desta semana adiou as medidas, que poderiam ter sido anunciadas nesta semana, “mas não tirou a disciplina do grupo que está trabalhando nas medidas que darão alento aos exportadores brasileiros”. Entre as medidas está a possibilidade de as empresas exportadoras usarem as divisas no exterior para compra de insumos sem a necessidade de trazer os recursos para o País, o que minimiza os impactos da valorização do dólar.

Também está em discussão a possibilidade de ampliar o prazo que as empresas têm de trazer as divisas para o País, que é de 210 dias atualmente.

Furlan esteve ontem no encerramento do Congresso da Indústria promovido pela Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp).

Turbulência

Sobre as turbulências do mercado nesta semana, Furlan disse que o mercado interno se saiu muito melhor em comparação com outras crises. “A atividade econômica não sofreu nenhum lapso, o resultado das empresas continua e a produção continua. O que nós tivemos foi um espasmo incontrolável, tipo um efeito de estouro da boiada: uma hora para um lado, outra para outro, deixando atônitos os protagonistas do mercado financeiro. Mas não mudou um milímetro o rumo do governo e nem o estímulo à produção brasileira.”

Juros

O ministro evitou falar sobre a possibilidade de a turbulência vivida nesta semana pelo mercado possibilitar uma desaceleração na queda dos juros ou um comportamento conservador do Copom do Banco Central. “Cada um tem seu papel. O papel do Banco Central é ser conservador, já a indústria pede medidas que visem à expansão do setor industrial. Nós procuramos entender e levar adiante as propostas para o crescimento.”

Sobre as propostas feitas pela indústria, entre elas a da flexibilização da cobertura cambial, Furlan elogiou as iniciativas e disse que “muitas sugestões da indústria são legítimas e encontram guarita no governo”.

Planos

O ministro Furlan disse ontem que deve voltar para Fiesp no ano que vem.

“Sou licenciado da Fiesp e, terminando o meu período de governo, o mais provável é que eu retorne ao setor privado e, portanto, às entidades de classe”.

No caso de uma reeleição do presidente Lula, Furlan disse que sua permanência “não é previsível”. “O presidente terá liberdade para escolher seus assessores no caso de ter segundo mandato”.

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