Cópias de 146 boletins de ocorrência de mortes violentas registrados pela Polícia Civil de São Paulo entre os últimos dias 13 e 19 foram entregues na tarde de ontem ao Ministério Público (MP) Estadual, conforme pedido anterior. As mortes ocorreram durante a série de ataques contra forças de segurança e de rebeliões que atingiu diversos pontos do Estado.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, entre os boletins estão 123 casos de suspeitos de envolvimento nos crimes mortos durante confrontos com a polícia; 41 referentes às mortes de agentes de segurança -policiais civis e militares, guardas municipais e agentes penitenciários-; e 23 sobre as mortes de presos em rebeliões.
Com os boletins, a secretaria cumpre dois dos três itens solicitados pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) na última terça-feira. Na noite de anteontem, a secretaria havia encaminhado cópias dos rascunhos de 130 laudos periciais do Instituto Médico Legal (IML) sobre as mortes ocorridas no mesmo período.
O objetivo do Ministério Público é apurar se houve abuso de poder por parte dos policiais na repressão à onda de crimes.
Anteontem, por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério Público chegou a informar que o prazo para a entrega dos boletins havia se encerrado. Porém, a secretaria diz ter sido notificada da solicitação horas após a expedição do pedido, o que lhe garantia a extensão do prazo até esta sexta.
O período que o Ministério Público pretende estudar corresponde à série de ataques contra forças de segurança e de rebeliões promovidas a mando do Primeiro Comando da Capital (PCC) em diversos pontos do Estado.
No dia em que a promotoria fez os pedidos à secretaria, o órgão reduziu de 109 para 79 o número de suspeitos de envolvimento nos crimes mortos em confrontos com policiais. Foram mortos ainda 23 PMs, sete policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro civis. Nas rebeliões, 17 presos morreram.
Laudos
Os rascunhos dos laudos do IML entregues ao Ministério Público já haviam sido analisados pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). O conselho apontou que, das 273 mortes violentas registradas entre 12 e 20 de maio, 132 foram provocadas por armas de fogo. O número é 48,3% do total.
O índice de mortos a tiros que chegaram ao IML de São Paulo cresceu de 4,5% do total na sexta-feira para 71,8% no sábado. Os ataques começaram naquela madrugada. O índice de mortos a tiros não baixou de 20% do total de necropsiados enquanto durou a onda de violência. Dos 273 corpos que chegaram ao IML, 256 foram identificados.