Bagdá - O contingente italiano no Iraque será reduzido em 1.100 militares em junho, anunciou ontem o ministro de Relações Exteriores da Itália, Massimo D’Alema, horas após se reunir com o primeiro-ministro Romano Prodi para definir as estratégias do governo na coalizão militar que atua no território iraquiano. “Em junho, nós iremos reduzir nossas tropas de 2.700 para 1.600”, informou D’Alema durante um programa de televisão italiano.
A declaração do ministro é a primeira manifestação do novo governo italiano sobre os números de militares que serão retirados do Iraque. Entretanto, a decisão de retirar parte das tropas em junho tinha sido tomada pela administração anterior, do ex-premiê Silvio Berlusconi, sendo que o gabinete de Prodi apenas concordou com a medida, afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Pasquale Terracciano. “Os próximos passos ainda não foram decididos”, disse Terracciano.
Na semana passada, o premiê italiano, Romano Prodi, que iniciar a Guerra no Iraque foi um “erro grave”, mas disse que a Itália continuará a auxiliar na “luta contra o terrorismo”. “Nós consideramos a guerra e a ocupação do Iraque um grave erro que não foi resolvido - mas que complicou - o problema da segurança”, disse Prodi em seu primeiro discurso ao Senado. “O terrorismo encontrou uma nova base e novas justificativas para ações internas e externas”.
Segundo Prodi, o governo deve participar de operações antiterror caso elas sejam sancionadas por organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). “Nós participaremos da guerra contra o terrorismo, mesmo militarmente, caso isso seja legitimado por uma organização internacional da qual participamos.” Como líder da oposição, Prodi se opôs à Guerra do Iraque e disse, durante sua campanha, que as tropas italianas no país seriam retiradas “o mais rápido possível”.
Pedido de Blair
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu ontem nos EUA apoio internacional para que os iraquianos consigam a consolidação de um Estado democrático. “É um filho da democracia lutando para nascer”, disse, na Universidade Georgetown. “A guerra divide o mundo”, declarou ele, aliado dos EUA na invasão do Iraque. “A luta dos iraquianos pela democracia deve uni-los.”
O premiê foi aos EUA se reunir com o presidente George W. Bush. Enquanto Blair discursava, começou a circular no Reino Unido entrevista em que o controverso deputado George Galloway, membro do partido de Blair até 2003, diz achar “moralmente justificável” o assassinato do premiê.
O parlamentar advertiu, porém, que não defende que isso seja feito. “Seria moralmente equivalente a ordenar a morte de milhares de inocentes no Iraque como Blair fez”, afirmou à revista “GQ”.
No Iraque, o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, disse que seu país havia rejeitado o convite americano para debater a situação iraquiana. Ele também obteve apoio do Iraque para um programa nuclear que Teerã diz ser pacífico, mas que os EUA acusam de buscar a bomba.
O país voltou ontem a ter um dia violento. Explosões em três mercados de Bagdá mataram ao menos 18 pessoas. Em jogo da primeira divisão de futebol, a polícia matou dois torcedores após revolta por um gol anulado.