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Quarto ano da série policial ‘CSI’ explora a paranóia atual

Folhapress*
| Tempo de leitura: 2 min

A Playarte resolveu angustiar os fãs de “CSI” e inverter a cronologia do seriado, lançando, em um DVD separado, o episódio especial dirigido por Quentin Tarantino, que pertence à quinta temporada, antes mesmo de terminar o pacote do quarto ano da série. Bom para quem já viu e quer colecionar tudo o que sair; ruim para quem não quer se adiantar no tempo de “CSI”. Com isso, o que saiu sem querer foi um retrato da paranóia moderna do ser humano, muito bem amarrado se todo esse material de “CSI” for visto em seqüência.

Os crimes da quarta temporada transparecem o estado da sociedade atual e, então, em vez de serem resolvidos e tirados das nossas vistas, são deixados sem solução para refletir um mundo corrupto - nada mais parecido com Las Vegas. Nesta quarta temporada, o detetive-chefe Grissom (William Petersen) se envolve principalmente com problemas entre as pessoas de sua equipe. É como se seu departamento estivesse na berlinda o tempo todo: um xerife passa a questionar seus métodos para poder roubar a cena na mídia, dois investigadores concorrem a uma promoção interna, se instala uma crise com a polícia local, e por aí afora...

O perfil psicológico dos integrantes já está bem definido, então agora o produtor-diretor Danny Cannon deslocou o enfoque para os criminosos. Daí desfilam pelos episódios uma garota que finge ser estuprada, pais que matam filhos, alguém que implanta uma bomba num carro de aluguel. Reflexos de Columbine? Ou do 11 de Setembro? É, a vida real também fica cada vez mais complicada.

Para completar o pesadelo, temos o capítulo duplo dirigido por Tarantino (“Pulp Fiction”). Fã confesso da série, topou na hora dirigir esse suspense em que um dos investigadores é seqüestrado e trancafiado vivo num caixão enquanto os outros tentam desvendar quem é o autor do crime, seus motivos e o local onde enterrou o colega.

As obsessões de Tarantino estão todas aqui: sangue excessivo, sofrimento crescente da vítima, um quase-desfecho muito antes de chegar ao fim e até um filme dentro do filme, que ele cria ao colocar uma câmera filmando o confinamento do policial agonizante. Figura entre os melhores episódios da história da série e ainda tem o dom de colocar em dúvida a razão de cada um ser um detetive.

*Lúcia Valentim Rodrigues

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