O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, não mediu palavras no 3º Congresso da Indústria - Reformar para Crescer, realizado na última semana, em São Paulo, ao se manifestar sobre o desenvolvimento do setor no País. Para ele, faltam políticas direcionadas ao crescimento industrial e um cenário adequado para isso, o que envolve, conforme ressaltou, reformas estruturais, desburocratização, aumento de crédito, diminuição de carga tributária e maior valorização empresarial. Skaf atribuiu essas dificuldades à falta de atitude política dos governantes.
“Para o Brasil crescer é preciso ter decisão. A prioridade tem de ser o crescimento, não podemos ter medo de crescer. Se há problemas de infra-estrutura, a necessidade é a mãe das invenções, que traz as respostas e as soluções”, destacou.
Cerca de duas mil pessoas, entre empresários e lideranças políticas, compareceram ao evento, que teve como objetivo apontar necessidades, traçar prioridades e sugerir soluções para os principais problemas que emperram o desenvolvimento da indústria brasileira. Até julho, todas as propostas serão encaminhadas aos candidatos aos governos de São Paulo e da República. Eles terão de assinar o documento se comprometendo a considerá-lo como uma de suas prioridades caso sejam eleitos.
Entre a série de temas abordados, foram destaque a urgência de uma reforma cambial, a necessidade de maiores investimentos em infra-estrutura e educação, além do controle dos gastos públicos e a desburocratização do comércio exterior.
Skaf admitiu que os temas não são novidade para os políticos, mas acredita que o momento é oportuno para reapresentá-los e exigir medidas que gerem resultados positivos. Para ele, é inadmissível que o Brasil continue crescendo abaixo da média mundial e, sobretudo, aquém dos países emergentes, como vem ocorrendo há cerca de duas décadas.
No ano passado, enquanto o mundo cresceu 4,5% e as nações subdesenvolvidas 6,5%, a economia brasileira não superou os 2,3%. “O Brasil parou de crescer. Portanto, o que não puder ser feito neste final de governo, que seja feito no próximo. Acreditamos que um presidente recém-eleito ou reeleito tem força para fazer, nos primeiros meses, o que é necessário, principalmente reformas estruturais e o combate aos gastos públicos”, aponta o presidente da Fiesp. “Por isso, estamos propondo um conteúdo sobre o que é preciso fazer e oferecendo todo o apoio para que o novo governante possa executá-lo. Se for necessário cobrá-lo, faremos isso”, completa.
Skaf definiu como “soluços” as turbulentas oscilações do mercado internacional nos últimos dias, principalmente por conta da alta do dólar e da instabilidade das relações diplomáticas e comerciais com a Bolívia. Ele não vê razões para que as taxas de juros atuais sejam mantidas e ventilou que a Fiesp e a Petrobras estão definindo medidas estratégicas para conter a crise do gás boliviano.
“Considero toda essa situação atual como soluços. Não há aquele perfeito equilíbrio no mundo, então, sempre existirão os problemas. É uma instabilidade que, ao meu ver, vai passar”, observa.
O congresso, realizado na Expo Transamérica, ocorreu entre quinta e sexta-feira. O governador do Estado, Cláudio Lembo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcaram presença.
Opiniões
“O que dificulta o crescimento industrial na região de Bauru?”
“Os impostos. É necessária uma reforma a curto prazo visando a diminuição da carga tributária, o que vai possibilitar mais recursos para o investimento empresarial e mais empregos.” Sérgio Togashi, do Depar/Fiesp de Bauru
“A carga tributária, que diminui o processo produtivo das indústrias. Se houvesse uma redução desses tributos, com certeza as empresas poderiam trabalhar mais, produzir mais e ampliar a sua mão-de-obra.” Luís Henrique Cardoso Patrício, membro do Depar
“A carga tributária e a legislação ambiental, principalmente no setor metalúrgico. A lei dá margem para uma interpretação não uniformizada, o que ajuda a dificultar o desenvolvimento no setor.” Márcio Rocha, conselheiro da Fiesp em Bauru