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Botucatu exporta técnica de rejuvenescimento facial

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – A retirada parcial de músculos é a nova aliada no combate a rugas na testa e pés de galinha. O professor de cirurgia plástica da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) Fausto Viterbo criou a técnica cirúrgica para o rejuvenescimento facial – lifting. A vantagem é que a intervenção deixa o rosto lisinho por anos, diferente da toxina botulínica (botox), ainda largamente usada e que exige reaplicações a cada três ou quatro meses.

A Técnica de Viterbo, como é chamada, é bastante difundida no Exterior e começa a ganhar adeptos entre pacientes e cirurgiões plásticos brasileiros. Ao todo, mais de 100 pacientes, entre mulheres e homens do Brasil e de outros países, já se submeteram ao procedimento.

Viterbo evita afirmar que sua técnica elimine definitivamente as marcas de expressão que tanto incomodam os pacientes. “Ainda é difícil falar na palavra definitivo, porque é preciso tempo para afirmar. Pelo menos nos seis anos em que tenho usado os pacientes estão muito bem. A técnica rejuvenesce, se não definitivamente, durante muitos anos”, adverte.

A Técnica de Viterbo está causando, agora, grande frisson no segmento de cirurgia plástica, entretanto há cinco anos seu criador a expõe em eventos, como no Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica e na Jornada Paulista de Cirurgia Plástica. De 19 a 20 de maio último, foi destaque durante a 26ª Jornada Paulista de Cirurgia Plástica, realizada pela regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Vários especialistas tentam há décadas encontrar uma maneira de acabar com rugas. Em 1999, Viterbo iniciou as cirurgias, que consistem na extração de músculos da testa e da lateral dos olhos. O cirurgião conta que foi estimulado a criar o procedimento após uma paciente reclamar do alto custo com as constantes aplicações de botox.

Para o rejuvenescimento da face, Viterbo se inspirou nas cirurgias para a correção de paralisia facial, especialidade em que o cirurgião desenvolveu três técnicas. Com larga utilização da retirada de músculos na paralisia facial, a adaptação para a estética foi conseqüência. “Some completamente o pé de galinha com a retirada (de músculos) da parte do lado dos olhos”, garante.

A partir dos 30 anos de idade, o envelhecimento causa a perda de colágeno – substância responsável pelo tonos dos tecidos –, provocando um afinamento da pele na testa e ao lado das pálpebras. A contração dos músculos faz aparecer as rugas.

Na cirurgia na testa, explica Viterbo, retira-se uma pequena porção de músculos e nervos dos dois lados. Para manter a expressão da face – como cara de surpresa – é mantida uma fita muscular lateral de ambos os lados. Para os pés de galinha é feito um corte do canto da testa até a orelha, seguindo a orientação do cabelo. Desse ponto é retirado o músculo ao lado das pálpebras. Há casos em que ocorre uma depressão ao lado da pálpebra, corrigida com enxerto de gordura, que preenche o espaço.

O cirurgião explica que a operação leva de uma a cinco horas, dependendo do tipo de intervenção. Viterbo ressalta que o importante é que paciente e médico conversem antes com franqueza, expondo riscos de um procedimento mais agressivo. “Acho válida a cirurgia se as rugas representam trauma muito grande, que incomoda o paciente, e desde que não haja grande risco.”

O preço da cirurgia é segredo absoluto. No entanto, estima-se que o valor represente seis aplicações de toxina botulínica. Uma aplicação hoje custa cerca de R$ 1.200,00. Viterbo não fala em valores e lembra que o preço varia conforme a extensão da operação.

O que as mulheres e homens querem é a pele do rosto lisinha. A professora de idiomas Perla Reibscheid não tem vergonha de revelar sua idade e expor a vaidade. Aos 55 anos, a moradora de Botucatu já está acostumada às cirurgias plásticas. Há 15 anos, fez uma lipoaspiração. Depois, há três anos, recorreu à operação para retirada de uma pele que causava incômodo. Em abril do ano passado, deixou a testa lisinha com a Técnica de Viterbo e esticou o pescoço. Ela conta que se decidiu pela cirurgia porque havia perdido 40 quilos. Em julho deste ano, já programou fazer nova plástica na região do abdome.

Livre das rugas na testa, recebeu a aprovação do grupo de amigas, que se interessaram pela operação plástica. “Me sinto natural sem aquela sensação de estar plastificada. Uma semana depois já estava bem. É claro que a pessoa só vai ver que ficou bonita seis meses depois, quando está completamente sem inchaço”, comemora.

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