A violência e o caos vividos por toda a história do Brasil possuem várias explicações e estão baseados em uma alta complexidade histórica.
Os distúrbios e mortes ocorridos nos últimos dias chocaram grande parte dos poderosos, mídia e a população. Mas para os mais atentos e menos esquecidos, os mesmos fatos ocorreram há três anos atrás. O mesmo grupo criminoso atuou, ordenou e conduziu rebeliões e ataques em série.
As atitudes dos líderes políticos foram as mesmas de hoje. O congresso nacional formulou novas leis e as promessas de investimentos do poder executivo federal foram as mais generosas.
Toda essa comoção foi em vão, pois passados poucos meses nenhuma lei entrou em vigor e os recursos para a segurança pública só diminuíram.
A falta de cumprimento da lei, os exemplos dos políticos e a corrupção são chagas que se solucionadas mudariam substancialmente o quadro tenebroso.
O Estado ausente é algo motivador para o crescimento do crime e de maneira mais delicada do Crime organizado. Mas o Estado possui um papel muito maior de decisão, ou ele fomenta a paz com suas ações ou alimenta a situação caótica que o país vive.
As políticas públicas adotadas por toda história da nação sempre construíram uma idéia do “Estado inimigo” e não colaborador da sociedade e seu progresso.
Dentre todas as ações governamentais a política econômica é importantíssima para aumentar ou amenizar a violência. A alta carga tributária para as pessoas e empresas, a dificuldade do acesso ao crédito e a infra-estrutura precária são fatores que violentam e desestimulam o ganho e a sobrevivência pelas vias formais e normais.
A percepção do inalcançável modo de vida formal e os parcos ganhos quando se está inserido na vida legal cria inevitavelmente a busca da sobrevivência pelo ganho obscuro.
O próprio Estado produz situações que destroem o sonho formal. O ganho fácil e um “Estado paralelo” são a regra em uma sociedade violentada pelo próprio pai. Criou-se a esperteza do não trabalho e o negativismo do “Estado Rival”. Levantar cedo, estudar, suar e contribuir com o crescimento da sociedade é tolice para alguns e fonte de “violências” para todos.
A ausência do Estado e sua forma de tratar a sociedade são os maiores motores desta tenebrosa situação de violência. A arquitetura de uma Nação que contrapõe os valores de crescimento formal e desestimula a legalidade só pode ter uma triste companheira que é a violência cotidiana. (O autor, Eli Fernando Toledo, é professor de Geografia em Bauru)