Bogotá - Álvaro Uribe foi reeleito à Presidência da Colômbia em primeiro turno e com uma maioria avassaladora, segundo resultados preliminares da apuração. Com 82% dos votos contados, o atual presidente obtinha 62%, o equivalente a 5.986.010 votos. Em segundo lugar, aparecia o candidato esquerdista Carlos Gaviria, com 22,1% ou 2.141.180 votos. Horacio Serpa, do Partido Liberal, contava com 11,9% ou 1.157.902, de acordo com os números da Registradoria Nacional.
Até o início da noite de ontem, nenhum candidato admitira oficialmente a derrota ou a vitória. Mas, timidamente, a população já começava a sair às ruas, comemorando a vitória de Uribe com “buzinaços”.
Ao votar pela manhã na sede do Congresso, na praça de Bolívar, centro histórico de Bogotá, Uribe elogiou o papel das forças de segurança na manutenção da ordem no país. “A democracia é um tesouro que devemos guardar. Hoje é um dia para honrar o altar da democracia e as liberdades de nossa pátria”, afirmou.
Se mantida a tendência da apuração, Gaviria será a grande surpresa desta eleição: será a primeira vez na história do país que um candidato da esquerda assoma como a segunda força eleitoral no país, ultrapassando o tradicionalmente majoritário Partido Liberal.
“Do ponto de vista histórico e estatístico, é um triunfo muito grande para a esquerda colombiana. Essa deve ser quase quatro vezes maior que qualquer votação que teve antes na história”, disse o analista Hernando Gomes Buendía.
Previsível, o triunfo de Uribe em primeiro turno era tão esperado que um analista colombiano a apelidou de “crônica de uma vitória anunciada”, em alusão ao clássico do escritor Gabriel García Márquez.
Segundo a última pesquisa Gallup, divulgada no domingo passado, Uribe seria reeleito com 61,2% dos votos, enquanto Gaviria e Serpa obteriam, respectivamente, 20,4% e 13,7%. Nas eleições de 2002, Uribe havia sido eleito com 53% dos votos, derrotando Horacio Serpa, que ficou com 31%.
A segurança foi o grande tema da campanha eleitoral. Apesar de ter registrado resultados ambivalentes em temas como o combate à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o combate ao narcotráfico, o governo Uribe apresentou melhoras nos principais indicadores de segurança, com queda nos números de assassinatos e seqüestros.
Além disso, o país viveu quatro anos de reativação econômica, de aumento de investimentos privados e de melhora de indicadores sociais. Apenas em 2005, a economia cresceu 5,2%. A reativação provocou uma queda do desemprego para 11,8%, enquanto o índice de pobreza caiu de 60% a 49%.